Campanha de Flávio vê gesto de Milei como exceção na América do Sul
Quinta-feira, 30 de Julho de 2026    11h26

Campanha de Flávio vê gesto de Milei como exceção na América do Sul

Sob reserva, interlocutores do candidato do PL avaliam que presidentes conservadores da região evitarão apoio explícito para preservar a relação com Lula

Fonte: Jussara Soares
Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

 

A campanha do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, não prevê manifestações explícitas de apoio de outros líderes de direita da América do Sul, a exemplo do presidente da Argentina, Javier Milei.

Sob reserva, aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro admitem que chefes de Estado conservadores de outros países da região devem evitar uma defesa pública de Flávio para preservar a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição.

No último sábado (25), Milei participou da convenção do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, chamou o presidente Lula de "presidiário" e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de "lixo careca".

O episódio abriu uma crise diplomática sem precedentes entre os dois países. O chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para reclamar da postura do presidente argentino.

O embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, também foi chamado para consultas em Brasília. Embora o Itamaraty e o Palácio do Planalto avaliem que a temperatura da crise esteja diminuindo, ainda não foi definida a data de retorno do diplomata a Buenos Aires.

O presidente da Argentina tem afirmado que o Brasil também será atingido pelo que decidiu chamar de "onda azul", marcada pela ascensão de políticos conservadores ao poder na América do Sul.

O governo brasileiro está convencido de que novos líderes de direita na América do Sul vão seguir uma cartilha de relações pragmáticas com Lula e não têm interesse em reproduzir a postura de enfrentamento ao petista adotada por Milei.

Um dos exemplos citados no Itamaraty foi o depoimento da presidente recém-empossada do PeruKeiko Fujimori, em um encontro com embaixadores latino-americanos ainda durante a campanha eleitoral.

Na reunião, segundo relatos feitos, Keiko reconheceu diferenças ideológicas com o petista, mas disse que Lula era o único líder na América do Sul capaz de unir a região.

Sinais de diálogo e pragmatismo também foram enviados, segundo a diplomacia brasileira, pelo colombiano Abelardo de la Espriella e pelo chileno José Antonio Kast, que assumiu o poder em março e já se reuniu com Lula duas vezes.

Por tudo isso, o governo brasileiro acredita que a influência de Milei hoje é limitada na vizinhança e descarta que outros líderes sul-americanos sigam o argentino em uma postura de enfrentamento a Lula.

Na avaliação do Itamaraty, mesmo pertencendo ao mesmo espectro político que o chefe da Casa Rosada, os demais presidentes de direita da região tendem a limitar o espaço para a ideologia em favor do pragmatismo nas relações diplomáticas.

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