O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma rápida conversa reservada, nesta terça-feira (28), com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli.
O diplomata fez um relato da repercussão das falas de Javier Milei sobre Lula na Argentina. Fontes que estiveram na conversa confirmaram que Bitelli disse que recebeu manifestações de solidariedade ao Brasil por parte de diferentes setores da sociedade argentina.
Na segunda-feira (27), portanto, após o episódio, em entrevista a uma rádio local, Milei afirmou que o governo brasileiro teria financiado uma campanha “anti-Argentina” durante a Copa do Mundo e voltou a chamar Lula de “presidiário”.
Apesar do aumento da tensão, integrantes do governo afirmam que não haverá qualquer gesto brasileiro que possa prejudicar a população argentina. A orientação no governo é preservar a relação institucional e comercial entre os países.
Segundo interlocutores do Planalto, Julio Bitelli permanecerá à frente da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, mas não há data de quando retornará ao país.
Nos bastidores do governo, a ala política também faz uma leitura sobre os movimentos recentes de Milei. Auxiliares de Lula avaliam que a participação do presidente argentino em eventos ao lado do senador Flávio Bolsonaro e a manifestação pública de apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tiveram como objetivo transmitir a imagem de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não está politicamente isolado.
Na avaliação desses interlocutores, a estratégia também buscou produzir efeitos junto ao eleitorado evangélico brasileiro, segmento considerado prioritário para o campo bolsonarista.