Ala "liberal" do PT tenta impor controle de gastos em eventual Lula 4
Terça-feira, 28 de Julho de 2026    13h39

Ala "liberal" do PT tenta impor controle de gastos em eventual Lula 4

Partido discute controle de gastos obrigatórios para eventual Lula 4

Fonte: Caio Junqueira
Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

 

Uma ala de economistas ligada ao PT e ao governo tenta impor à velha guarda do partido uma linha para a política econômica em um eventual governo Lula 4. O foco seria o controle dos gastos obrigatórios, a estabilização da relação dívida/PIB e a migração de um déficit de 2% do PIB para déficit zero. Tudo isso sem que haja, necessariamente, uma redução do tamanho do Estado.

Eles asseguram que, "nem de longe", se considera deixar a dívida seguir "explodindo" e que o que vem sendo pensado internamente é justamente como freá-la.

Lula tomou posse em 2003 com uma relação dívida/PIB na faixa de 71% e a entregará neste ano dez pontos acima, em 81%.

A mensagem tem sido passada em conversas de integrantes do grupo com agentes econômicos e do mercado, que questionam, porém, a forma como o plano seria executado e quais medidas concretas seriam aplicadas para que os objetivos sejam atingidos.

Ainda não há clareza quanto a isso por parte dos formuladores, muito em razão da própria resistência dentro do partido às ideias, representada pela figura do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.

Há duas semanas, ele foi desautorizado pela campanha após apresentar ideias do que seria um plano econômico para um eventual Lula 4.
O grupo que está à frente do debate econômico no partido é liderado por economistas que integram o governo Lula 3 e que têm o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como referência.

Eles consideram que a linha que defendem é o pensamento predominante na campanha, no governo e no PT e que conta, inclusive, com o aval do presidente Lula para pensar o que poderá vir a ser os próximos quatro anos de um governo petista.

Em todas as conversas, sempre colocam que a palavra final sempre será do presidente Lula.

O principal ponto levantado pelo grupo é o ritmo em que esse ajuste seria feito. O cenário, segundo uma fonte graduada que participa dessas discussões, é de "realismo e gradualismo".

Eles dizem que a diferença para as propostas da oposição à direita é justamente o ritmo desse ajuste. Essa fonte relata que a direita quer tirar a capacidade de ação do Estado, enquanto o PT defende o controle dos gastos obrigatórios para que o Estado seja impulsionador do desenvolvimento.

Garantem ainda que não haverá corte de gastos sociais, mas sim contenção do ritmo de crescimento dessas despesas para que os programas sociais caibam dentro da expansão dos investimentos.

Isso seria feito a partir de algumas alternativas que remontam a propostas já debatidas durante o governo Lula 3, mas nunca colocadas em prática, como ajustes em critérios de elegibilidade de programas sociais e nos valores dos benefícios pagos em alguns deles.

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