A semana em que o petróleo Brent registrou cinco dias consecutivos de alta e ultrapassou o patamar de US$ 100 por barril traz apreensão renovada em relação à inflação global.
O Brasil não deve escapar dessa preocupação, segundo Márcio Sette Fortes, economista e ex-diretor do Brasil no BID.
“Exportamos um produto cujo preço está aumentando, o que é positivo para a Petrobras, mas ainda temos dependência, o que nos torna vulneráveis. Isso pode se refletir na economia interna, elevando preços de derivados de petróleo e até mesmo de alimentos", afirmou.
Durante o cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, em junho, o Brent recuou ao nível mais próximo do cenário pré-guerra, atingindo US$ 73,74 por barril.
A redução dos preços do petróleo foi sentida pelo IPCA, índice que mede a inflação do Brasil, com alta ligeira de 0,16% em junho, ante expectativa de 0,31%. O resultado veio puxado principalmente pela queda nos preços de alimentos e combustíveis.
O impacto também foi sentido globalmente. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos Estados Unidos desacelerou para 0,4% em junho, movimento puxado pela queda nos preços da gasolina e da energia.
Com o avanço da guerra entre Estados Unidos e Irã e as dificuldades de navegação pelo Estreito de Ormuz e por Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, a expectativa é de que o cenário inflacionário a partir de julho seja menos favorável.
O analista de inteligência da Stonex, Bruno Cordeiro, destaca que devemos começar a perceber a partir da próxima semana uma retomada de alta dos combustíveis no Brasil.
“Isso se dá porque o produto importado vem chegando mais caro na ponta e ao mesmo tempo as refinarias privadas devem promover movimentação de alta seguindo a paridade internacional”, declarou.
Para o especialista, os programas de subsídios do governo federal contribuem para atenuar a alta dos combustíveis, mas não conseguem anular a existência de impactos para a cadeia produtiva e para o consumidor final.