A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência entende haver um movimento do "sistema" político, liderado pelo Executivo e pelo Judiciário, com apoio de agentes econômicos, atuando para desestabilizar a candidatura do senador à Presidência.
O exemplo mais recente desse movimento seria o vazamento de dados bancários de Flávio, que a campanha atribui a órgãos federais responsáveis pela análise do fluxo financeiro de pessoas físicas e jurídicas.
Reportagem publicada na quinta-feira (23) pelo portal Metrópoles e confirmada pela CNN aponta que o escritório do senador emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil para uma empresa que operou com o banco de Vorcaro.
Os documentos foram cancelados, mas, dois dias depois, uma nova nota, no mesmo valor, foi emitida para outro CNPJ. O senador nega irregularidades.
As notas oficiais da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto e do Itamaraty sobre o tarifaço, acusando a família Bolsonaro pela medida, também são apontadas como utilização do aparato estatal para fragilizar a candidatura.
Para a campanha, decisões recentes do Judiciário, como a do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, bloqueando bens do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e a de Alexandre de Moraes, dando seguimento à ação de calúnia do presidente Lula contra Flávio, são outros exemplos.
Interlocutores de Flávio apontam, ainda, que esses movimentos têm dificultado o processo de negociação de alianças com partidos do Centrão, que têm demonstrado receio de se tornarem alvo do Judiciário caso formalizem apoio a Flávio.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), por exemplo, é investigado pela Polícia Federal no Caso Master.