EUA confirmam tarifa sobre trabalho forçado; Brasil terá alíquota de 12,5%
Quinta-feira, 23 de Julho de 2026    17h57

EUA confirmam tarifa sobre trabalho forçado; Brasil terá alíquota de 12,5%

USTR considerou que país falhou no combate à produção que se beneficia de trabalho forçado

Fonte: João Nakamura, da CNN Brasil
Foto: CNN

 

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) confirmou nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa contra 60 países que teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado.

As alíquotas são de 10% para países que, segundo o USTR, "se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições à importação de trabalho forçado"; e de 12,5% para países que não teriam adotado tal proibição.

O Brasil acabou atingido pela alíquota mais elevada.

A tarifa se soma a taxas anteriores aplicadas contra o país, como a de 25% anunciada em decorrência de investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas desleais pelos EUA.

"O Representante Comercial determinou, de acordo com a orientação específica do Presidente, que a taxa tarifária a ser aplicada e o escopo das tarifas e isenções são apropriados para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas considerados passíveis de ação na investigação", diz documento do órgão.

Além do Brasil, o USTR avaliou que outras 53 economias "falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". São elas:

  • Argélia;
  • Angola;
  • Argentina;
  • Austrália;
  • Bahamas;
  • Bahrein;
  • Bangladesh;
  • Brasil;
  • Camboja;
  • Chile;
  • China;
  • Colômbia;
  • Costa Rica;
  • República Dominicana;
  • Egito;
  • El Salvador;
  • Guatemala;
  • Guiana;
  • Honduras;
  • Hong Kong;
  • Índia;
  • Iraque;
  • Israel;
  • Japão;
  • Jordânia;
  • Cazaquistão;
  • Kuwait;
  • Líbia;
  • Malásia;
  • Marrocos;
  • Nova Zelândia;
  • Nicarágua;
  • Nigéria;
  • Noruega;
  • Omã;
  • Peru;
  • Filipinas;
  • Catar;
  • Rússia;
  • Arábia Saudita;
  • Singapura;
  • África do Sul;
  • Coréia do Sul;
  • Sri Lanka;
  • Suíça;
  • Taiwan;
  • Tailândia;
  • Trinidad e Tobago;
  • Turquia;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Reino Unido;
  • Uruguai;
  • Venezuela;
  • Vietnã.
  • Ficou reservada a taxa de 10% a seis parceiros dos EUA. Sendo:

  • Canadá;
  • Equador;
  • União Europeia;
  • Indonésia;
  • México;
  • Paquistão.
  • Alguns produtos foram isentos desse novo episódio de tarifaço. São eles:

  • Materiais informativos, doações e bagagem acompanhada;
  • Todos os artigos e partes de artigos sujeitos às tarifas da seção 232;
  • Matérias-primas que, se sujeitas às tarifas adicionais propostas, poderiam levar à indisponibilidade do fornecimento interno nos EUA;
  • Produtos que poderiam causar perturbações em toda a economia se sujeitos às tarifas adicionais propostas;
  • Certos produtos que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos ou obtidos de outras fontes;
  • Produtos que, se isentos dessas tarifas, incentivariam as economias a promulgar e aplicar efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado;
  • Artigos para os quais as tarifas adicionais podem não contribuir substancialmente para a eliminação dos atos, políticas e práticas considerados passíveis de ação nas investigações.
  • Entre os produtos isentos aparecem petróleo e gás, fertilizantes e alimentos, como carne.

    A nova alíquota entra em vigor à 01h01, no horário de Brasília, desta sexta-feira (24). Mercadorias que já estejam em trânsito para os EUA poderão entrar no país sem cobrança adicional até terça-feira (28).

    O governo brasileiro emitiu uma nota na qual diz rechaçar a sobretaxa de 12,5%. No comunicado, a Presidência voltou a falar que iniciará, de forma imediata, "os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade".

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