Em meio a negociações sobre o tarifaço, o setor têxtil defende que o Brasil tenha um olhar ampliado sobre questões que impactam as exportações, como a taxa das blusinhas.
Os empresários afirmam que uma alternativa viável frente à taxação de 25% que começou a valer nesta quarta-feira (22) seria recorrer ao próprio mercado brasileiro, mas que diante da retirada da cobrança, a competição com produtos chineses se tornou injusta.
"Isso é um problema sério e foi colocado à mesa. Inviabiliza algum esforço de redirecionar, pelo menos temporariamente, aquilo que vier a ser perdido no mercado norte-americano para o mercado brasileiro, que é o mercado que representa a maior parte da venda da nossa produção", afirma o diretor superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel.
As demandas foram apresentadas em um conjunto de sugestões dadas por esse e outros setores durante reuniões com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) agendadas para esta semana.
O fim do imposto de importação federal de 20% sobre compras de US$ 50 em sites do exterior e 60% para itens de US$ 50,01 a US$ 3 mil foi determinado por uma medida provisória editada em maio pelo governo.
O efeito foi um aumento expressivo no volume de compras de produtos importados em junho. O volume ficou em R$ 2,6 bilhões, o maior da série histórica do Fisco, desde que o registro passou a ser mensal.
O setor defendeu que precisa de linha de giro e de aumento da elevação ao máximo possível da alíquota do Reintegra, o programa que devolve parte dos tributos que ficam acumulados na cadeia de produção.
A mensagem repassada pelos empresários ao governo é de que também não é o momento do governo criar condicionantes para oferecer ajuda aos setores, como a exigência de manutenção de empregos.
"Se as condicionantes forem muito fortes, você tem o produto, mas não tem a tomada da linha. Ninguém despede as pessoas por alegria ou por alguma razão que não seja uma crise muito forte. Ninguém acorda pensando em demitir ninguém", afirma Fernando Pimentel.