Aliados de Lula veem "timing" inadequado em decisões de Mendonça
Sexta-feira, 31 de Julho de 2026    10h40

Aliados de Lula veem "timing" inadequado em decisões de Mendonça

Ministro retirou sigilo de caso Jaques Wagner e autorizou inquérito para investigar Lulinha a três dias de convenção do PT

Fonte: Isabel Mega
Foto: Antonio Augusto/STF
Ministro André Mendonça

 

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estranharam o "timing" das decisões tomadas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e veem uma possível tentativa de desgastar o governo.

O ministro retirou o sigilo do caso Jaques Wagner e autorizou inquérito para investigar Lulinha, que é filho do presidente da República, a três dias da convenção nacional do PT.

O evento está marcado para este domingo (2), em São Paulo, e oficiliazará Lula como como candidato à reeleição.

No PT, o discurso é de que o ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao STF tem lado e atua politicamente.

Mendonça tornou públicos os documentos da Polícia Federal que detalham vínculo entre Jaques e executivos ligados ao Banco Master.

O senador foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

A PF detalha vínculos pessoais e políticos de Jaques com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e empresário influente da Bahia.

Foram verificados na investigação indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.

Levantamento da corporação mostra ainda que o senador e Augusto Lima trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cinco horas e 30 minutos de conversa.

Entre as supostas vantagens atribuídas ao núcleo do Master, a PF cita uso de aeronaves, ingressos para shows de alto valor, presentes e a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.

Jaques Wagner foi líder do governo Lula 3 no Senado e é considerado uma das figuras mais próximas do presidente da República. O senador ocupou diversos cargos dentro de gestões petistas, além de ter sido governador da Bahia por duas vezes. O senador nega acusações e afirma que irá provar sua inocência.

Caso Lulinha

Pouco antes da retirada de sigilo nessa quinta-feira, o entorno do presidente Lula sofreu outro baque, com a autorização para que a PF investigue Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência e corrupção.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, Lula repetiu o tom que tem adotado quando o assunto é o filho Lulinha, indicando que não haverá tratamento privilegiado.

"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha", disse.

A campanha de Lula afirma que ainda não foi medido o impacto sobre a abertura de inquérito. Aliados endossam o discurso de que, se a investigação seguir e nada for provado, pode ser melhor do que manter no ar os fatos e expectativas sobre "acusações que nunca têm fim".

A suspeita é que Lulinha teria atuado junto do Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.

Em outras frentes de investigação foi levantada a suspeita de que Lulinha seria um sócio oculto de Antonio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", um dos principais operadores no esquema de desvios bilionários de pensões e aposentadorias.

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