PF vai apurar se Lulinha cometeu crime de tráfico de influência e corrupção
Sexta-feira, 31 de Julho de 2026    06h33

PF vai apurar se Lulinha cometeu crime de tráfico de influência e corrupção

Investigação vai tentar esclarecer se filho do presidente atuou para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal

Fonte: Fernanda Fonseca, da CNN
Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/
Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

 

A PF (Polícia Federal) vai apurar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção. O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou na quinta-feira (30) a abertura do inquérito, atendendo a um pedido da própria corporação.

A investigação vai tentar esclarecer se Lulinha atuou para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.

O pedido foi enviado ao STF no dia 24 de julho e distribuído a Mendonça, que também é relator do inquérito sobre os desvios bilionários no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), apurados na Operação Sem Desconto, caso em que também há menção a Lulinha.

O filho do presidente foi citado nas investigações do INSS por causa de sua relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", um dos alvos da operação.

Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que está em curso uma "fishing expedition" contra o filho do presidente. "A Polícia Federal sabe que não há nada contra Fábio. Talvez esteja realizando uma fishing expedition", disse o advogado Marco Aurelio.

"Fishing expedition" é a expressão em inglês para "pesca probatória", termo jurídico que aponta uma investigação genérica em busca de provas para culpar alguém.

Atrito entre PF e Mendonça

O episódio ocorre em meio a um atrito entre a Polícia Federal e o ministro Mendonça. A corporação acionou a AGU (Advocacia-Geral da União) para buscar um caminho jurídico que conteste as medidas de controle impostas pelo ministro sobre a condução da Operação Sem Desconto.

O documento enviado na semana passada ao órgão jurídico do governo pede que se encontre um remédio judicial para “rebater a determinação do ministro”. Mendonça determinou que todos os atos da apuração sejam imediatamente juntados ao processo que tramita em seu gabinete.

O ministro também ordenou que qualquer afastamento de policiais da equipe de investigação seja comunicado previamente a ele.

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