Mendonça autoriza inquérito sobre repasses de Vorcaro para filme Dark Horse
Quinta-feira, 23 de Julho de 2026    13h43

Mendonça autoriza inquérito sobre repasses de Vorcaro para filme Dark Horse

Apuração será aberta nesta quinta-feira (23), segundo integrantes da PF

Fonte: Elijonas Maia
Foto: Reprodução

 

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a PF (Polícia Federal) a investigar os repasses ao filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).

A autorização foi concedida na quarta-feira (22) e, segundo integrantes da PF, o inquérito será aberto ainda nesta quinta-feira (23) na Dicor (Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção).

A decisão de Mendonça significa que a PF vai apurar os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a obra a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e saber se todo o montante foi para onde as notas fiscais apontam. A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor das investigações.

Vorcaro pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme após pedido do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. O intermédio foi feito pelo publicitário Thiago Miranda.

Diálogos divulgados pelo site Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Em outro áudio de 8 de setembro do ano passado, Flávio teria dito a Vorcaro que havia preocupação com atraso nos pagamentos da produção.

Em nota publicada à época em que o diálogo foi divulgado, Flávio Bolsonaro disse que a conversa se tratou de um "filho procurando patrocínio".

"Mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet."

Flávio disse ainda ter conhecido Vorcaro em 2024, "quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro".

"O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca”, completou Flávio à época.

O senador não se manifestou sobre a abertura do inquérito.

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