O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a se reunir nesta terça-feira (21) com representantes do setor produtivo para discutir o tarifaço de 25% dos Estados Unidos contra o Brasil.
A ideia do governo é apresentar aos empresários as ações iniciais a serem adotadas pelo governo, receber ponderações dos setores e ajustar a resposta às tarifas. Segundo fontes na Esplanada dos Ministérios, as primeiras entidades a serem recebidas serão:
A resposta do governo brasileiro acontece em ao menos duas frentes, que serão tema das reuniões: busca por novos mercados para os produtos alvos das tarifas, o anúncio de um pacote de socorro às empresas afetadas – uma nova edição do Plano Brasil Soberano.
As tratativas serão tocadas especialmente pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
O Palácio do Planalto recorre às respostas especialmente porque avalia que não há espaço para negociar o tarifaço com os Estados Unidos até as eleições de 2026. Auxiliares de Lula acreditam que a Casa Branca só voltará a se engajar nas tratativas após o pleito no Brasil, independentemente do nome eleito.
Setores afetadosO novo tarifaço dos Estados Unidos deve atingir 18% das exportações brasileiras ao país norte-americano, nas contas do Mdic.
Segundo os cálculos da pasta, 57% da pauta exportadora aos EUA é mantida isenta. Os cerca de 24% restantes são afetados por outro regime tarifário, relacionado à investigação sobre as vendas de aço e alumínio para o país.
A Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) informou na sexta-feira (17) que reservou R$ 130 milhões para diversificar os mercados de exportação do Brasil após a sobretaxa.
Segundo o presidente da Apex Brasil, Laudemir Müller, uma das ações que será implementada por meio desse plano é custear viagens de empresários de outros países ao Brasil para negociar e fechar contratos com empresas brasileiras.
Müller destacou também que a iniciativa de diversificação de mercados vai focar, sobretudo, na União Europeia, em razão do acordo de livre comércio em vigor com o Mercosul. Além dos países europeus, a estratégia vai mirar na Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) e em países da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão.