O governo promete intensificar, a partir desta sexta-feira (17), conversas com os setores mais afetados pela sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
A avaliação é de que resta pouco espaço para uma negociação com o governo Donald Trump antes da entrada em vigor da medida, prevista para a próxima quarta-feira (22).
Por isso, a estratégia do Planalto é concentrar esforços no ministério da Indústria e Comércio para uma construção junto às empresas. O ministério deve realizar uma série de reuniões com representantes dos setores para discutir alternativas.
A ideia é colocar à disposição das empresas o chamado Plano Brasil Soberano, com medidas de crédito, financiamento e apoio às empresas exportadoras.
Em paralelo, as empresas também se organizam para também apresentar saídas ao governo. Uma alternativa mencionada por representantes seria o acionamento do programa Reintegra, mecanismo que devolve às empresas parte dos tributos que permaneceram embutidos no custo dos produtos exportados.
“Estamos avaliando entre as empresas quais seriam as medidas que poderiam dar suporte a elas durante essa situação”, disse a diretora-executiva da Abimaq, Patrícia Gomes.
Porta fechadaEm relação aos Estados Unidos, a leitura no governo é de que não há condições para uma retomada do diálogo. Apesar dos esforços, integrantes do Planalto afirmam que não pretendem fazer uma nova investida junto à Casa Branca.
A avaliação é de que, depois de cerca de um ano de negociações sem resultados, Washington não deu sinais de que esteja disposto a rever qualquer posição. Justamente por isso, o governo trabalha com a expectativa de que não haverá ampliação da lista de produtos brasileiros isentos da tarifa antes da entrada em vigor da medida, na próxima quarta.
Pós-eleiçãoAuxiliares do presidente Lula acreditam que os Estados Unidos devem adiar qualquer negociação até depois das eleições de outubro. A leitura é de que Trump prefere esperar para definir com quem negociará. Na visão de integrantes do Planalto, uma eventual administração considerada mais alinhada aos interesses americanos poderia oferecer condições mais favoráveis aos EUA.
Embora minimize os impactos da medida, o governo reconhece que alguns segmentos serão fortemente atingidos, a exemplo de máquinas e equipamentos, calçados e madeira. A avaliação é de que, para a economia brasileira como um todo, a tarifa “não é o fim do mundo”, mas que seus efeitos serão piores para alguns segmentos.
Paralelamente, o governo também aposta que os Estados Unidos aplicará a tarifa extra de 12,5% para países que supostamente exportam produtos oriundos do trabalho escravo. A medida deve atingir 59 países e a União Europeia.