Lula diz que só vai se pronunciar sobre tarifaço quando "Trump falar"
Sexta-feira, 17 de Julho de 2026    13h58

Lula diz que só vai se pronunciar sobre tarifaço quando "Trump falar"

Presidente ainda afirmou que pretende mostrar que, no Brasil, "ninguém ganha mentindo"

Fonte: Rodrigo Monteiro e Gabriela Piva, Helena Prestes, da CNN Brasil
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (17) que só se pronunciará sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros quando o mandatário norte-americano Donald Trump falar do assunto.

"Eu vou deixar pra falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei. Porque nós vamos mostrar que, no Brasil, ninguém ganha mentindo; ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira", disse o chefe do Executivo durante visita à Carreta da Saúde da Mulher.

A fala de Lula aconteceu em meio aos anúncios das novas tarifas de 25% a produtos do Brasil. Um alto funcionário do governo dos EUA ainda afirmou que os EUA irão rever as ações caso haja retaliação do lado brasileiro.

Em nota divulgada na quinta-feira (16), a Presidência disse que "o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional". E completou: "E retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC."

Apesar do reforço no discurso contra o novo tarifaço, o governo do Brasil decidiu deixar uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade para "um momento adequado". A cautela ocorre uma vez que aliados de Lula ponderam que uma resposta imediata poderia levar Donald Trump a ampliar as sanções contra o Brasil.

Esses mesmos aliados citam um trecho da decisão do USTR segundo o qual uma eventual elevação de tarifas sobre produtos americanos pelo Brasil pode indicar que as medidas adotadas pelos EUA "não são suficientes" para eliminar as práticas brasileiras consideradas problemáticas, abrindo espaço para novas sanções.

Reação do governo e da oposição

As reações do governo brasileiro começaram ainda na madrugada de quinta, momentos após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciar que as sobretaxas passarão a valer em 22 de julho. Em comunicado, o Brasil disse que o anúncio era um “marco lastimável" na relação entre os dois países.

Horas depois, o chanceler Mauro Vieira classificou como "descabidas" as críticas americanas ao Pix, afirmou que as tarifas "não têm racionalidade" e chamou de "inaceitáveis e ofensivas" as declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra o presidente brasileiro.

Após a imposição das tarifas, Rubio criticou o presidente Lula e disse que as políticas econômicas do Brasil são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros". Ele também acusou o petista de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. O Planalto rebateu as críticas e disse que nunca deixou de comparecer às mesas de negociações.

Lula, por sua vez, disse que não há justificativa para os EUA aplicarem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita nas redes sociais, onde o presidente compartilhou o pronunciamento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta às falas do secretário de Estado americano, Marco Rubio.

"Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas", escreveu Lula.

A crise também ampliou a disputa política interna, com governistas e oposição buscando apontar os responsáveis pelo novo embate comercial. O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), explorou as declarações de Rubio para responsabilizar Lula pelo tarifaço. Governistas, por sua vez, reagiram acusando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de incentivar as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

O que é a Lei da Reciprocidade

A Lei da Reciprocidade é um mecanismo de defesa comercial que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que impõem tarifas, barreiras ou restrições abusivas a produtos e interesses do Brasil.

A ideia é que o Itamaraty acione formalmente a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que abriria um processo para verificar formalmente se as alíquotas aplicadas pelos EUA se enquadram nos critérios da lei.

No ano passado, após o governo Trump impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros (10% para todo o mundo e 40% especificamente contra o Brasil), a Camex chegou a iniciar um procedimento semelhante. No entanto, a Lei de Reciprocidade Econômica exige um objeto definido de análise e, naquela ocasião, o trâmite foi interrompido pela Suprema Corte dos Estados Unidos, levando à extinção do processo.

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