O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu bloquear o patrimônio de políticos sem mandato investigados no esquema de desvio de emendas parlamentares, mesmo diante de parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A medida atingiu dois nomes centrais nas investigações: Valdemar Costa Neto (PL) e o ex-deputado Eduardo Cunha. Ambos negam ter cometido irregularidades, e as investigações seguem em andamento.
"Alguns líderes partidários dizem que as decisões mirando exatamente as emendas parlamentares tendem, segundo o sentimento desses políticos, a 'apertar o cerco' sobre parlamentares de direita".
Após a divulgação das decisões, Hugo Motta (Republicanos-PB) informou que a Câmara cumprirá integralmente as determinações do STF e colaborará com o envio das informações requisitadas por Dino.
Ele ressaltou o compromisso institucional da Casa com a transparência e a legalidade dos procedimentos administrativos. No entanto, o presidente da Câmara classificou a decisão como uma "indevida intervenção judicial".
Tainá afirmou que, para deputados do entorno do presidente da Câmara, a instituição não teria outra alternativa a não ser responder institucionalmente à decisão.
"Nos bastidores, porém, esses mesmos líderes apontam que há, segundo eles, um desequilíbrio na apuração, indicando que Flávio Dino tem mirado em personagens de centro e da direita", destacou a âncora.
A avaliação desses parlamentares, de acordo com a apuração de Tainá, é de que o caso tem potencial de crescer e alcançar outros nomes de destaque da política nacional.
Mariângela FialekUm dos personagens que mais chama atenção nas decisões de Dino é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Ela é uma servidora da Câmara dos Deputados e é apontada pela Polícia Federal como peça-chave para operacionalizar as emendas parlamentares alvo de investigação.
"Segundo a PF, Tuca ocupava uma posição estratégica no trâmite desses recursos e teria dado suporte à atuação de agentes políticos externos, sem mandato, como Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha, com quem aparece trocando mensagens muito claras sobre a destinação de emendas", explicou Tainá.
A relação de Fialek com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL) também é apontada como ponto de atenção por líderes partidários. Ela teria atuado em cargos de confiança durante o período em que Lira presidiu a Câmara, consolidando sua influência na estrutura administrativa da Casa.
A decisão de Dino, no entanto, não atribui a Lira participação direta no que está sendo investigado. Hugo Motta aparece em menção indireta, no contexto da continuidade da atuação de Tuca em relação às emendas e por sua reação política às decisões do STF.
"Até o momento, não foram tornados públicos, elementos que indiquem investigação sobre irregularidades ou indicação direta de Hugo Motta", destacou Tainá.
Expectativa de novos alvosA âncora afirmou que, nas conversas com líderes partidários, dois nomes surgiram como possíveis alvos futuros: Arthur Lira, que até o momento não figura como alvo das investigações, e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
"Fica o sentimento de que esses deputados estão "de mãos atadas". Eles dizem que não têm o que fazer, cada um que aparecer que se defenda", revelou Tainá. Segundo ela, a classe política entende que o Supremo busca criminalizar a utilização das emendas.
Dino afirma nas decisões que a Câmara simplesmente não está cumprindo o que foi acordado em determinações proferidas em 2024 a respeito das emendas de comissão.