O Senado Federal não deve avançar com pautas de interesse do governo Lula antes do recesso parlamentar, que se inicia na próxima sexta-feira (18).
Por telefone, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), avisou o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Otto Alencar (PSD-BA), que não apreciaria na última semana antes do recesso nenhuma “matéria importante”. A conversa foi relatada pelo parlamentar baiano.
A prioridade legislativa da gestão federal, a PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6x1, tramita na Casa. Os principais articuladores do governo já admitiam nos bastidores que não há tempo hábil para a aprovação da proposta até sexta-feira. Mas ainda havia expectativa entre governistas de que Alcolumbre pudesse enviar o texto à CCJ. Assim, um relator poderia ser indicado, e o texto ganharia pelo menos um cronograma de tramitação.
Alcolumbre avisou senadores que as sessões na Casa seguirão semipresenciais nesta semana – o que, na avaliação de parlamentares, corrobora que pautas relevantes não terão avanço nesta semana.
Otto Alencar disse que perguntou ao presidente do Senado sobre a tramitação da MP (medida provisória) do piso do frete. O texto foi um aceno do governo a caminhoneiros que ameaçavam uma greve e expira na quarta-feira (16). Alcolumbre também não teria confirmado se incluirá na pauta da semana.
Outros dois textos de interesse do governo que não devem avançar são o PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança.
Mesmo com as sessões semipresenciais, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), desembarcou em Brasília no domingo (12) para uma última ofensiva pelas pautas de interesse de Lula.
O entorno de Alcolumbre vinha sinalizando que uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria necessária para destravar pautas de interesse do governo. O Palácio do Planalto segue sem dar indicação de que o encontro pode acontecer.
Sem o aval de Lula para um encontro, a decisão da articulação política do governo foi apostar em um canal entre Alcolumbre e Teresa – que tenta mobilizar pares na "última ofensiva".
Governo muda estratégia eleitoralO presidente Lula deve usar as pautas ainda não aprovadas no Congresso Nacional como bandeiras de campanha.
O plano inicial de Lula era ter o fim da escala 6x1 como uma entrega em sua campanha. O não avanço da tramitação no Senado frustrou petistas. O movimento de comunicação será então abordar a redução da jornada de trabalho como uma promessa caso seja reeleito.
Também devem ser usadas na campanha de Lula o PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança.
A primeira será tratada como uma iniciativa do governo em defesa da soberania, ao tentar garantir que, em vez de vender matéria-prima, o Brasil desenvolva as commodities em território nacional. Já a segunda, como caminho para desarticular o crime organizado, inclusive possibilitando a criação de um Ministério da Segurança Pública.