Risco geopolítico do Brasil passa por decisões dos EUA
Quarta-feira, 08 de Julho de 2026    06h18

Risco geopolítico do Brasil passa por decisões dos EUA

Decisões da Casa Branca sobre tarifas e segurança pública trarão holofotes "inéditos" à política externa nas eleições

Fonte: Danilo Cruz, da CNN Brasil
Foto: Divulgação
Os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca

 

O risco geopolítico para o Brasil passa majoritariamente pelas decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Isso é o que aponta o relatório "Risco Brasil", lançado neste mês pela consultoria política Arko Advice , parceira de conteúdo do WW.

As tensões na política internacional são vistas como um risco médio, de nota 48 em uma escala de zero a 100. O viés é de alta, ou seja, com uma chance de agravamento da situação ao longo dos próximos meses.

A empresa explica que os temas relacionados ao exterior terão efeitos domésticos e eleitorais neste ano. "Nós nunca tivemos uma influência tão grande da geopolítica em uma eleição, acho que a última vez que isso ocorreu foi em 1945 por causa da Segunda Guerra Mundial", afirmou o cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, ao WW desta terça-feira (7).

Os principais pesos envolvem diretamente a Casa Branca e a estratégia de interferência americana.

O primeiro é a designação, por parte dos EUA, das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas. A consultoria explica que o tema gera efeitos diplomáticos e financeiros e já pesa diretamente como um fator de risco.

Além disso, pontua que novos atos do Departamento do Tesouro americano - como aplicação de sanções a empresas e personalidades possivelmente ligadas aos grupos criminosos - também seriam capazes de agravar o cenário no ciclo eleitoral.

Essa decisão já gerou rusgas entre Brasília e Washington. Nesta segunda (6), o Itamaraty afirmou que vê possibilidade do uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro e que a classificação "não trará benefícios concretos no combate ao crime organizado".

O Departamento de Estado respondeu e tratou a hipótese de um ataque como "absurda", além de defender as medidas de segurança da Casa Branca.

O segundo peso é a instabilidade no Estreito de Ormuz e o preço do petróleo. Mesmo com um acordo de cessar-fogo, a recuperação do tráfego marítimo ainda é lenta e sofre com interferências.

Antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, cerca de 100 navios comerciais cruzavam a passagem diariamente, com a nova trégua e a reabertura do local, o número chegou a 34 no dia 4 de julho. No entanto, constantes trocas de ataques entre os dois países aumentam os riscos à navegação e podem prejudicar a estabilização nos valores do combustível.

"A disputa sobre o controle do Estreito e a retomada parcial do tráfego mantêm o petróleo e o diesel como gatilhos diretos para inflação e abastecimento", explica o relatório.

A Arko também classifica o impasse tarifário como um fator de risco. O texto diz que o desenrolar das negociações no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) sobre a aplicação de tarifas de 25% por supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil precisará ser observado - e podem criar novos riscos.

As tarifas, no entanto, não se mostram como um assunto capaz de decidir as eleições, destaca Aragão. Segundo ele, a questão pode não demonstrar peso direto ao eleitor - mas mudará as estratégias das campanhas.

"É a primeira vez que a questão internacional entra no balaio eleitoral", pontuou. "Isso desarruma a narrativa dos candidatos... Ambos os ponteiros das eleições podem ser prejudicados pela questão", finalizou.

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