PEC da maioridade deve avançar apenas depois das eleições, avaliam líderes
Quarta-feira, 08 de Julho de 2026    06h16

PEC da maioridade deve avançar apenas depois das eleições, avaliam líderes

Apesar do entedimento, deputados da oposição pressionam por instalação da comissão especial da proposta antes do recesso parlamentar; objetivo do grupo é aprovar texto antes do pleito de outubro

Fonte: Emilly Behnke e Lorenzo Santiago, da CNN Brasil
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados
Deputados durante sessão deliberativa no plenário da Câmara

 

Deputados da oposição pressionam pela instalação, até a próxima semana, da comissão especial que analisará a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos. O grupo espera articular a aprovação da pauta antes das eleições. Líderes ouvidos, no entanto, avaliam que o tema só deve avançar após o período eleitoral.

Na segunda-feira (6), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu criar a comissão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

Os chefes de bancada devem agora indicar os integrantes do colegiado. Um acordo anterior previa que o deputado Mendonça Filho (PL-PE) seja o relator da matéria e que a comissão seja presidida pelo deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA).

A divisão foi costurada ainda durante a tramitação da PEC da Segurança, que foi relatada por Mendonça. Na época, ele incluiu a redução da maioridade penal no texto, mas retirou o trecho após o compromisso de Hugo Motta de o tema tramitar em uma proposta separada. Aluisio Mendes também foi presidente da comissão especial que avaliou o texto.

“Sem dúvida nenhuma, vamos trabalhar para ser aprovado antes [das eleições]”, disse o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB).

Em reunião de líderes da Câmara na terça-feira (7), no entanto, chefes de bancada defenderam que temas polêmicos sejam analisados após o pleito eleitoral.

A mudança na maioridade enfrenta resistência de partidos de esquerda, mas tem apoio de integrantes de siglas de centros, além da oposição. Ouvidos sob reserva, líderes afirmam que o texto tem o apoio de cerca de 70% do Congresso.

"Nós vamos enfrentar esse tema. Não temos dificuldade, temos posição de mérito. Vamos enfrentar esse tema durante a campanha e depois da campanha", declarou o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC).

O otimismo em relação ao apoio dos deputados se dá por dois fatores. Primeiro pela votação expressiva que a proposta teve na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), em junho. Foram 44 deputados a favor e 18 contrários.

O segundo ponto é o apoio de uma parcela da população à medida. Pesquisa Datafolha divulgada no final de junho mostra que 79% dos entrevistados apoiam a redução da maioridade penal. O percentual é o menor registrado na série histórica, que teve início em 2003. Do total de entrevistados, 17% se disseram contra esse tipo de medida e 1%, indiferente. Outros 3% não sabem.

Esses dados são usados pela oposição para pressionar pelo avanço do tema no Congresso. As lideranças do PL têm reforçado a intenção de votar o texto o mais rápido possível para ter um trunfo eleitoral importante.

A redução é uma das bandeiras que devem ser defendidas por integrantes da oposição durante a campanha eleitoral com uma das ações para combate à criminalidade. Por outro lado, parlamentares de esquerda avaliam que maioridade aos 18 anos é uma cláusula pétrea da Constituição e que a redução da idade apenas sobrecarregaria o sistema penal.

As lideranças dos partidos progressistas esperam a definição de um cronograma da comissão especial para traçar a tática de obstrução e a estratégia para as votações.

A comissão especial que irá analisar a matéria terá 38 integrantes titulares e igual número de suplentes. Após a análise no colegiado, o texto ainda verá ser votado, em dois turnos, no plenário da Câmara. Se aprovado, seguirá para o Senado.

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