O Palácio do Planalto admite, nos bastidores, que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 dificilmente será aprovada pelo Congresso Nacional antes das eleições.
Apesar disso, o governo mantém o discurso de que está empenhado para avançar com o texto até outubro.
A matéria está paralisada no Senado e o governo avalia receber sinais dúbios do presidente Davi Alcolumbre (União-AP). O senador evitou cravar um prazo para votação, mas indicou que mexerá no texto vindo da Câmara para acabar com a regra de transição para a vigência da PEC, o que, na prática, agrada o governo.
Apesar de o cenário ser mais desfavorável, já que não existe um cronograma, integrantes do governo afirmam que a estratégia é manter a defesa da proposta como prioridade “zero” para Lula em discursos e manifestações. A missão dada à líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), pelo Planalto é atuar para destravar a pauta, ao menos, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), antes do recesso marcado para o dia 18 de julho.
Nos bastidores, auxiliares do presidente também trabalham com a possibilidade de transformar o tema em um dos principais discursos da campanha eleitoral, caso a PEC não seja votada a tempo. A ideia é que o governo cumpriu seu papel ao encaminhar a proposta, garantindo avanço na Câmara dos Deputados, mas encontrou resistência para concluir a votação no Senado.
Um dos gestos aguardados pelo Planalto é a definição de um relator para a proposta por Alcolumbre. A indicação de um nome responsável já representaria um sinal de que a PEC seguirá em tramitação após o período eleitoral.
O Congresso Nacional terá apenas mais duas semanas de funcionamento antes do recesso parlamentar. Durante a campanha, Câmara e Senado devem operar em regime de esforço concentrado, com sessões presenciais previstas apenas em uma semana por mês.
Desde que o texto chegou, o presidente do Senado defende que a PEC seja debatida com calma e não tratada apenas como uma ratificação do que foi aprovado pela Câmara.
Segundo relatos de senadores, Alcolumbre informou que as atividades legislativas ocorrerão de forma remota até a chegada do recesso parlamentar, reduzindo o espaço para votações de temas considerados sensíveis.