A Polícia Federal prendeu a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), em operação na manhã desta sexta-feira (4).
Além dela, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que também foi sancionado pelo Departamento de Tesouro dos EUA e é alvo da Operação Exchange, está foragido.
Mais de 50 agentes cumprem 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, em endereços localizados nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Até o momento, sete pessoas foram presas.
A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões. Os alvos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em nota, a defesa de Victor Shimada informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais que fundamentaram a operação. Leia a nota na íntegra:
"A defesa tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas. Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis".
Alvos sancionados pelos EUAO Departamento do Tesouro dos Estados Unidos realizou, nessa quarta-feira (1º), uma sanção contra Victor Henrique de Oliveira Shimada por suposto vínculo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O brasileiro já havia sido investigado por ser operador financeiro em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o Corinthians e a VaideBet.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada nesta manhã, é citada pelos EUA como uma associada próxima e parente de Victor, tendo trabalhado como sua secretária e intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro.
Segundo o departamento americano, ela fornecia serviços logísticos essenciais que apoiaram Shimada e sua rede em suas operações de lavagem de dinheiro.
Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, incluída na lista de sanções do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), dos EUA. A empresa é suspeita de participar de uma estrutura de lavagem de dinheiro para o PCC e chegou a ser citada em uma delação premiada de Vinicius Gritzbach, o "delator do PCC".
Como resultado da sanção, todos os bens e interesses em bens de Shimada que estejam nos Estados Unidos, ou em posse ou sob o controle de pessoas do país, estão bloqueados e devem ser comunicados ao OFAC.
O comunicado aponta que quaisquer entidades que sejam detidas, direta ou indiretamente, individualmente ou em conjunto, em 50% ou mais por uma ou mais pessoas bloqueadas, também estão bloqueadas.