Governo Lula vê Flávio usar tarifaço para tirar foco de crise com Michelle
Sexta-feira, 03 de Julho de 2026    07h02

Governo Lula vê Flávio usar tarifaço para tirar foco de crise com Michelle

Aliados do presidente veem filho de Jair Bolsonaro estimular embate sobre taxas para desviar foco de conflito interno

Fonte: Jussara Soares/CNN
Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo e Marcelo Camargo/Agência Brasil/ CNN Brasil
O senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro

 

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto, deve intensificar o embate em torno do tarifaço dos Estados Unidos como forma de tirar o foco da crise política provocada pelo atrito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Na avaliação de aliados do presidente, o conflito comercial com os Estados Unidos dá ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a oportunidade de recolocar a disputa eleitoral no centro do debate e reduzir o desgaste provocado pela repercussão da crise no campo bolsonarista.

Integrantes do governo afirmam que não é a primeira vez que Flávio recorre ao governo Donald Trump para tentar conter um desgaste político. Eles citam a viagem do senador à Casa Branca em meio à crise provocada pela revelação de suas conversas com o dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, pedindo recursos para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dias depois da visita, os Estados Unidos anunciaram a designação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A segurança pública é um dos principais pilares do discurso de campanha de Flávio.

Já o governo Lula busca associar a ofensiva do senador aos interesses americanos e reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. O próprio presidente passou a relacionar diretamente a atuação da família Bolsonaro à aplicação das tarifas, anunciadas pela primeira vez por Donald Trump em julho de 2025.

Até 15 de julho, os Estados Unidos decidirão se adotarão a proposta do USTR (Escritório do Representante Comercial) de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Antes, na próxima terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participará da audiência pública em Washington sobre o tarifaço, enquanto o governo Lula seguirá insistindo nas negociações bilaterais até o último minuto para evitar a penalização.

A troca de acusações sobre o tarifaço ganhou força nesta quinta-feira (2), após Flávio enviar ao governo americano um documento em que afirma que a manutenção das tarifas representaria uma "vitória política" para Lula e sugere que a decisão seja tomada após as eleições.

No documento, o senador também propõe mudanças na relação comercial entre os dois países, incluindo uma flexibilização dos compromissos do Brasil no Mercosul.

Em resposta, Lula afirmou, em publicação nas redes sociais, que a família Bolsonaro age contra os interesses nacionais e classificou a iniciativa como uma "atitude de traidores da Pátria". O presidente acusou os adversários de tentar submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, defendeu o Mercosul e o Pix e voltou a afirmar que o país negociará "de igual para igual" com qualquer nação.

"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", publicou Lula no X (antigo Twitter). "Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros."

Após a manifestação do presidente, Flávio também foi às redes sociais. Mais uma vez, voltou a dizer que Lula se beneficia do tarifaço e que não negociou a retirada das taxas.

"Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas. Envergonhou o Brasil perante o mundo! Ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas", disse Flávio.

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