O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), reavalia o formato da reunião prevista para esta quarta-feira (1º) para discutir a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1.
O encontro pode ficar restrito a senadores, diferentemente da previsão inicial, que incluía os autores da proposta na Câmara e representantes das centrais sindicais.
A possibilidade de mudança ocorre em meio ao aumento da pressão pública pelo avanço da PEC. Nos últimos dias, a deputada Erika Hilton (PSOL), uma das principais defensoras da proposta, intensificou as cobranças por uma definição sobre a tramitação no Senado e convocou mobilizações em defesa da medida.
Nos bastidores, interlocutores de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado tem demonstrado incômodo com a pressão em torno da proposta e reforçado que caberá à Casa definir o ritmo da tramitação. Integrantes próximos ao senador também afirmam que Alcolumbre ainda aguarda uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do tema.
O posicionamento foi reiterado nesta terça-feira (30). Durante sessão plenária, Alcolumbre reclamou da pressão para votar propostas de forte apelo eleitoral, afirmou que o Senado não será uma "Casa carimbadora" das decisões da Câmara e evitou estabelecer um calendário para a votação da PEC do fim da escala 6x1.
A reunião havia sido anunciada como o primeiro aceno de Alcolumbre à proposta, aprovada pela Câmara no fim de maio e parada no Senado desde então. A expectativa de governistas era de utilizar o encontro para definir os próximos passos da tramitação e abrir caminho para o despacho da PEC à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Nesta semana, a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), assumiu a articulação política do tema e iniciou, junto a governistas, um trabalho de aproximação entre Lula e Alcolumbre para destravar a tramitação.
Mesmo com a reunião, aliados do presidente do Senado afirmam que não há compromisso com uma votação acelerada. A tendência continua sendo a de que a PEC passe pelas comissões antes de seguir ao plenário.
Além da reunião, o Senado deve realizar uma audiência pública para ampliar o debate sobre a redução da jornada de trabalho antes da definição do rito de tramitação.