O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconhece que a saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado Federal gera um dilema eleitoral.
O petista admite, em conversas reservadas, que o ideal seria que o senador pedisse para deixar o posto para focar em sua própria defesa e em sua campanha à reeleição.
O presidente, no entanto, receia que um desgaste com o aliado histórico possa prejudicar seu palanque na Bahia, que foi decisivo para a vitória de Lula no segundo turno de 2022.
Em conversas reservadas, Jaques tem afirmado que não pedirá para sair do posto. Ele espera que a solicitação, caso ocorra, parta do presidente.
A expectativa é de que Jaques viaje a Brasília nos próximos dias para se reunir com Lula. No Palácio do Planalto, tem ganhado força o movimento pela troca da liderança do governo.
O nome favorito hoje é o do senador Camilo Santana (PT-CE), que não será candidato no pleito deste ano e, portanto, permaneceria na capital federal durante o processo eleitoral.
Lula telefonou nesta quinta-feira (18) a Jaques e defendeu que ele se defenda publicamente das suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
Em entrevista, Jaques citou a solidariedade de Lula, o que irritou assessores do governo. Para eles, o petista baiano não deveria ter usado o presidente como uma espécie de escudo contra as suspeitas de irregularidades.