Petistas defendem Jaques Wagner, mas temem impacto político em Lula
Quinta-feira, 18 de Junho de 2026    11h22

Petistas defendem Jaques Wagner, mas temem impacto político em Lula

Avaliação é que governo deve defender presunção de inocência do parlamentar, mas com postura firme pelo avanço da investigação

Fonte: Clarissa Oliveira
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O senador Jaques Wagner (PT-BA)

 

Líderes governistas e do PT ouvidos sob reserva na manhã desta quinta-feira empenharam-se em defender a presunção de inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA) diante da nova fase da Operação Compliance Zero, que colocou o líder do governo na mira da Polícia Federal.

Sob reserva, entretanto, o clima é de apreensão, com forte preocupação sobre um impacto eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, alguns petistas próximos do presidente Lula admitem que o senador tem explicações a dar. Há preocupações sobre o recebimento de vantagens indevidas, ainda mais que passem por benefícios pessoais.

A operação desta manhã alcança também familiares do senador e ainda o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Conhecido como Guga Lima, o empresário mantinha vínculos com o PT da Bahia.

A PF apura se Wagner negociou um apartamento de cerca de R$ 2,5 milhões, além de ter recebido vantagens como uso de jatinhos particulares e ingressos caros para shows. As novas revelações se somam à suspeita que já vinha sendo investigada sobre contratos do Banco Master com a nora do senador.

Um petista próximo de Lula admitiu, de que a suspeita de compra de um apartamento em benefício da família de Wagner acende um alerta. A mesma fonte entende que o senador deve concentrar todos os esforços em isentar o governo e o próprio Lula de qualquer tipo de vínculo com irregularidades.

Embora defendam a presunção de inocência de Wagner, petistas ouvidos avaliam que Lula e o governo devem ser firmes na defesa do avanço das investigações. Um aliado do presidente lembrou que Lula adotou essa mesma postura até diante de denúncias envolvendo seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mencionado nas investigações da PF sobre o caso INSS.

Jaques Wagner estava em Salvador quando soube da Operação da Polícia Federal, que envolve 18 mandados de busca e apreensão. Até o fim da manhã, até auxiliares próximos ainda não tinham obtido informações detalhadas sobre a reação do senador diante da operação.

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