Líderes governistas e do PT ouvidos sob reserva na manhã desta quinta-feira empenharam-se em defender a presunção de inocência do senador Jaques Wagner (PT-BA) diante da nova fase da Operação Compliance Zero, que colocou o líder do governo na mira da Polícia Federal.
Sob reserva, entretanto, o clima é de apreensão, com forte preocupação sobre um impacto eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos bastidores, alguns petistas próximos do presidente Lula admitem que o senador tem explicações a dar. Há preocupações sobre o recebimento de vantagens indevidas, ainda mais que passem por benefícios pessoais.
A operação desta manhã alcança também familiares do senador e ainda o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Conhecido como Guga Lima, o empresário mantinha vínculos com o PT da Bahia.
A PF apura se Wagner negociou um apartamento de cerca de R$ 2,5 milhões, além de ter recebido vantagens como uso de jatinhos particulares e ingressos caros para shows. As novas revelações se somam à suspeita que já vinha sendo investigada sobre contratos do Banco Master com a nora do senador.
Um petista próximo de Lula admitiu, de que a suspeita de compra de um apartamento em benefício da família de Wagner acende um alerta. A mesma fonte entende que o senador deve concentrar todos os esforços em isentar o governo e o próprio Lula de qualquer tipo de vínculo com irregularidades.
Embora defendam a presunção de inocência de Wagner, petistas ouvidos avaliam que Lula e o governo devem ser firmes na defesa do avanço das investigações. Um aliado do presidente lembrou que Lula adotou essa mesma postura até diante de denúncias envolvendo seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mencionado nas investigações da PF sobre o caso INSS.
Jaques Wagner estava em Salvador quando soube da Operação da Polícia Federal, que envolve 18 mandados de busca e apreensão. Até o fim da manhã, até auxiliares próximos ainda não tinham obtido informações detalhadas sobre a reação do senador diante da operação.