O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adota um "silêncio estratégico" na condução do tema do fim da jornada 6x1 pelo Senado Federal.
Lula espera para ver se o presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), vai baixar a guarda e destravar a PEC aprovada pela Câmara.
Até lá, dizem aliados, não pretende nem atacar Alcolumbre, muito menos procurá-lo. "Não se procura quem está com uma arma apontada para você", avalia um interlocutor petista em um paralelo sobre a situação.
A visão, no entanto, não é unânime dentro do governo. Há quem defenda que Lula faça gestos pessoais a Alcolumbre e provoque um encontro após a ruptura que já dura mais de um mês.
A falta de comemoração mais entusiasmada do presidente após a aprovação do fim da 6x1 na Câmara também está por trás da estratégia.
O governo aguarda o momento certo de Lula falar. Caso Alcolumbre não ceda, a campanha à reeleição e aliados no Congresso Nacional já planejam reações de efeito popular.
No PT, há quem veja um jogo de ganha-ganha votando ou não a PEC. O partido está pronto para sacar o discurso de disputa política com a retórica de que Lula trabalha pelos direitos dos trabalhadores, mas que o Congresso — leia-se Alcolumbre, pois Hugo Motta (Republicanos-PB) foi parceiro — está do lado dos poderosos.
A convicção se sustenta na percepção de que, toda vez que o Congresso adotou a agenda da direita — anistia, dosimetria e defesa da PEC das horas trabalhadas —, isso ajudou o governo a evidenciar quem está do lado da maioria e quem defende os interesses de uma pequena minoria.
O cenário também levanta a percepção de que, em algum momento, Davi Alcolumbre poderia chegar ao limite e ceder.
O presidente do Senado tem abraçado, sem alarde, o discurso do setor privado de que o fim da jornada 6x1 é ruim para a economia. É uma convicção pessoal de Alcolumbre.
Nos últimos dias, Alcolumbre liberou um arsenal de matérias de impacto fiscal que encurralam o governo — classificadas pelo Ministério da Fazenda de pauta-bomba.
Por um lado, isso encurrala o governo a ter o ônus de vetar matérias de apelo ao Agro e categorias profissionais.
Por outro lado, também ajuda a jogar no colo do próprio Congresso a responsabilidade pelo aumento do rombo fiscal.