Lula adota “silêncio estratégico” sobre PEC 6x1 no Senado
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026    16h17

Lula adota “silêncio estratégico” sobre PEC 6x1 no Senado

Antes de partir para o ataque, presidente aguarda para ver se Alcolumbre baixa a guarda

Fonte: Isabel Mega
Foto: Reprodução/CanalGov
Lula articulará pessoalmente aprovação do fim da escala 6x1 no Senado; decisão depende de Alcolumbre

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adota um "silêncio estratégico" na condução do tema do fim da jornada 6x1 pelo Senado Federal.

Lula espera para ver se o presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), vai baixar a guarda e destravar a PEC aprovada pela Câmara.

Até lá, dizem aliados, não pretende nem atacar Alcolumbre, muito menos procurá-lo. "Não se procura quem está com uma arma apontada para você", avalia um interlocutor petista em um paralelo sobre a situação.

A visão, no entanto, não é unânime dentro do governo. Há quem defenda que Lula faça gestos pessoais a Alcolumbre e provoque um encontro após a ruptura que já dura mais de um mês.

A falta de comemoração mais entusiasmada do presidente após a aprovação do fim da 6x1 na Câmara também está por trás da estratégia.

O governo aguarda o momento certo de Lula falar. Caso Alcolumbre não ceda, a campanha à reeleição e aliados no Congresso Nacional já planejam reações de efeito popular.

No PT, há quem veja um jogo de ganha-ganha votando ou não a PEC. O partido está pronto para sacar o discurso de disputa política com a retórica de que Lula trabalha pelos direitos dos trabalhadores, mas que o Congresso — leia-se Alcolumbre, pois Hugo Motta (Republicanos-PB) foi parceiro — está do lado dos poderosos.

A convicção se sustenta na percepção de que, toda vez que o Congresso adotou a agenda da direita — anistia, dosimetria e defesa da PEC das horas trabalhadas —, isso ajudou o governo a evidenciar quem está do lado da maioria e quem defende os interesses de uma pequena minoria.

O cenário também levanta a percepção de que, em algum momento, Davi Alcolumbre poderia chegar ao limite e ceder.

O presidente do Senado tem abraçado, sem alarde, o discurso do setor privado de que o fim da jornada 6x1 é ruim para a economia. É uma convicção pessoal de Alcolumbre.

Nos últimos dias, Alcolumbre liberou um arsenal de matérias de impacto fiscal que encurralam o governo — classificadas pelo Ministério da Fazenda de pauta-bomba.

Por um lado, isso encurrala o governo a ter o ônus de vetar matérias de apelo ao Agro e categorias profissionais.

Por outro lado, também ajuda a jogar no colo do próprio Congresso a responsabilidade pelo aumento do rombo fiscal.

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