A aprovação da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (10) causou reações opostas entre governistas e oposição.
"Essa é pauta indelicada e para a esquerda, que fica numa sinuca de bico. É como o 6X1 para nós da direita, só que ao contrário: é difícil votar contra", disse o deputado Ricardo Salles (Novo-SP).
A decisão da CCJ não pautou postagens de parlamentares petistas que costumam ser contundentes nas redes nem comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os números dão uma pista do motivo.
Uma pesquisa do Real Time Big Data divulgada em maio mostrou que 81% dos eleitores de Lula e 90% do eleitorado em geral apoiam a redução.
Quando provocados, os petistas se manifestam contrários à decisão da CCJ.
"O encarceramento precoce não é o melhor caminho. A redução da maioridade nunca esteve no programa do PT", disse Gutierrez Barbosa, integrante do diretório nacional petista e coordenador do setorial inter-religioso da sigla.
Um dos coordenadores do capítulo de segurança pública de Lula em 2002, o sociólogo Benedito Mariano vai na mesma linha.
"Essa proposta é demagógica e o PT sempre foi contra. Espero que não avance: 90% dos crimes não têm participação de menores", afirmou.