O entorno do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, contabiliza haver na corte eleitoral maioria a favor da sua decisão liminar que determinou a suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel que apontou queda do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O pedido de suspensão foi feito pelo PL, de Jair Bolsonaro, que alegou direcionamento de perguntas no levantamento promovido pelo Instituto AtlasIntel após a divulgação do áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Segundo interlocutores do ministro, a previsão é que seja pautada ainda nesta terça-feira em plenário a decisão.
O entendimento, segundo fontes da corte, é que o efeito da decisão é baixo uma vez que a pesquisa já foi divulgada, mas que o julgamento será importante para dar um efeito pedagógico aos institutos de pesquisa em um ano em que se prevê uma eleição presidencial com resultado apertado. Assim, a ideia é justamente apontar que as empresas que fazem levantamentos não fujam dos padrões que comumente são utilizados nas pesquisas.
Na liminar, o ministro considerou que há elementos que indicam indução para a contaminação das respostas, entre eles a divulgação de áudio de investigação sobre o Banco Master.
E destacou que a concessão da liminar parcial — para suspender a divulgação — não indica perigo caso posteriormente se verifique a regularidade metodológica do levantamento.
Ele também mostrou que outras 27 pesquisas feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada e nem veicularam áudio.
Em nota, o Instituto AtlasIntel disse respeitar a decisão de Nunes Marques mas que não manipula pesquisas.
“A empresa mantém absoluto respeito às instituições e está colaborando integralmente com a Justiça Eleitoral, fornecendo todos os esclarecimentos e informações metodológicas solicitados sobre o estudo. Estamos tranquilos e confiantes de que a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada e confiamos no colegiado do TSE para afirmar a robustez técnica e a legalidade do estudo”, informa a AtlasIntel.