Lula aciona Itamaraty após tarifaço e busca traçar próximos passos
Terça-feira, 02 de Junho de 2026    11h52

Lula aciona Itamaraty após tarifaço e busca traçar próximos passos

Presidente quer mais informações sobre os desdobramentos da decisão, além de detalhes sobre o alcance das investigações no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana

Fonte: Tainá Falcão/CNN
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta terça-feira (2), após o governo dos Estados Unidos anunciar tarifa de 25% contra produtos brasileiros.

Lula quer mais informações sobre os desdobramentos da decisão, além de detalhes sobre o alcance das investigações no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana.

A apuração que atinge o Brasil permite aos EUA adotar medidas contra países considerados prejudiciais aos interesses econômicos americanos.

Até agora, o governo brasileiro vinha apresentando argumentos técnicos para tentar frear a investigação, mas avalia que as justificativas do Brasil não foram consideradas por razões políticas.

Integrantes do governo rejeitam surpresa com a decisão, especialmente após a visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) à Casa Branca, e atribuem ao adversário político de Lula a decisão do USTR sobre a tarifa.

Para diplomatas brasileiros, a investigação tem influência da família Bolsonaro. Eles argumentam que a apuração surgiu justamente após uma carta enviada pelo presidente Donald Trump ao governo brasileiro, com referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e críticas à atuação das autoridades.

Interlocutores do Planalto afirmam que os EUA repetem argumentos já utilizados anteriormente sem levar em conta o que a área técnica do governo tem demonstrado.

Por exemplo, em relação ao desmatamento, o Brasil aponta, com base em dados, para uma queda pela metade da área prejudicada em 2022.

Outro exemplo mencionado envolve o Pix, com argumento do Brasil de que não houve impedimento à atuação de empresas privadas no setor de pagamentos, mas expansão do mercado, com oportunidades de negócios para empresas do setor de crédito e débito.

Apesar da insatisfação, a orientação no Planalto é manter os canais de interlocução abertos, mesmo sem esperança de que a investigação terá efeito contrário até o próximo dia 15 de julho, prazo final para adoção das medidas.

O governo federal convocou para a manhã desta terça-feira (2) uma reunião de emergência para discutir possíveis ações com a recomendação das novas tarifas. O encontro ocorre na Vice-Presidência da República e conta com a participação de diversos ministros. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) do Palácio do Planalto deverá receber informações dos ministérios para a divulgação de uma nota oficial.

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