Itamaraty ainda vê espaço para negociar antes da aplicação de tarifas
Terça-feira, 02 de Junho de 2026    09h00

Itamaraty ainda vê espaço para negociar antes da aplicação de tarifas

Para negociadores, relatório do USTR é tentativa de colocar "corda no pescoço" do Brasil, mas flexibilização ainda é tida como possível

Fonte: Daniel Rittner
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil

 

Itamaraty ainda vê espaço para negociações com os Estados Unidos antes da aplicação de tarifas de 25% aos produtos brasileiros exportados para o mercado americano.

Para pessoas diretamente envolvidas nas conversas com Washington, o relatório preliminar do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca) funciona como uma espécie de "corda no pescoço" na reta final de negociações e uma sinalização de que tarifas podem realmente ser impostas.

No entanto, depois de quase um ano de experiência negociando o "tarifaço" com a gestão Donald Trump, o Palácio do Planalto e o Itamaraty ainda acreditam na possibilidade de reversão ou flexibilização das alíquotas recomendadas de 25%.

Apesar da divulgação do relatório, o próprio USTR colocou a data de 15 de julho como limite para a aplicação efetiva das tarifas.

No fim da semana passada, pela primeira vez nas conversas bilaterais, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) apresentou aos Estados Unidos uma proposta de redução das tarifas brasileiras sobre produtos americanos.

A proposta foi classificada como tímida pelos próprios negociadores, mas foi um primeiro movimento para discutir sobre bases concretas.

Na avaliação do governo Lula, um ponto que limita os próximos passos são as regras do Mercosul, que o Brasil faz questão de respeitar.

O bloco sul-americano tem uma TEC (Tarifa Externa Comum), que é aplicada de maneira uniforme por todos os sócios.

Há uma lista reduzida de exceções para acomodar situações particulares. São 150 produtos para Brasil e Argentina, 275 para o Uruguai e 699 para o Paraguai -- diante de um universo de mais de 10 mil itens,

Na negociação concluída com os Estados Unidos no ano passado, que não tem nenhum documento formal, a Argentina se comprometeu a reduzir suas tarifas para produtos americanos.

Mas isso desrespeita as regras de funcionamento do Mercosul, que só poderia diminuir alíquotas de forma conjunta ou por meio de um acordo de livre comércio com todo o bloco, como foi o caso do tratado com a União Europeia.

A orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos seus ministros e demais negociadores é não ferir as normas do Mercosul ao negociar com os Estados Unidos.

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