Operação mira Prefeitura de SP por elo com dona de filme sobre Bolsonaro
Segunda-feira, 01 de Junho de 2026    08h54

Operação mira Prefeitura de SP por elo com dona de filme sobre Bolsonaro

Investigação apura "crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas"

Fonte: Yuri Cavalieri, da Itatiaia, Gabriela Piva, Leticia Martins, da CNN Brasil
Foto: Instagram/Jim Caviezel
Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em "Dark Horse"

 

A Polícia Civil realizou nesta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre contra a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, que fez o filme "Dark Horse", do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investigação apura fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital investiga eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.

A suspeita é de que as duas partes tenham feito "crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas".

As investigações apontaram "possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira". Isso porque o cronograma original visava a entrega de 5.000 pontos de conectividade até junho de 2025, mas houve a instalação de apenas 3.200 pontos.

"Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias. Paralelamente, constatou-se que a administração municipal realizou a antecipação de pagamentos na vultosa quantia de R$ 26.000.000,00 sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11.000.000,00 nos meses de julho e agosto de 2024 relativos a 3.200 pontos quando somente seis deles de fato funcionavam no período", diz trecho do comunicado.

As investigações também mostram que o ICB não tem experiência ou histórico no setor de telecomunicações, "limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa".

"No tocante ao aspecto econômico do Termo de Colaboração, evidenciou-se flagrante discrepância de valores em comparação com os parâmetros de mercado e contratações pretéritas. Enquanto a PRODAM, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, prestava serviços idênticos pelos custos de R$ 230,00 para implantação por ponto e R$ 306,00 para manutenção mensal por ponto, o acordo firmado com o Instituto Conhecer Brasil estipulou o pagamento fixo mensal de R$ 1.800,00 por ponto de internet instalado, gerando um custo injustificadamente superior para a municipalidade", completa.

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