Com três propostas em jogo, Senado decidirá rumo do fim da escala 6x1
Segunda-feira, 01 de Junho de 2026    06h36

Com três propostas em jogo, Senado decidirá rumo do fim da escala 6x1

Além do texto aprovado pela Câmara na semana passada, senadores avaliam propostas da oposição e do PT, em disputa que pode alterar prazo e formato da transição. A definição sobre qual proposta ganhará maior tração depende também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

Fonte: Luciana Amaral, da CNN Brasil
Foto: Reprodução

 

Com três propostas em jogo, o Senado já é o palco da próxima disputa sobre o fim da escala trabalhista 6x1. Após a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) articulada pela esquerda na Câmara dos Deputados, que agora deverá ser analisada pelos senadores, líderes governistas e da oposição travam uma corrida para definir qual texto terá prioridade na tramitação e servirá de base para o avanço do tema na Casa.

Além da proposta governista aprovada pelos deputados, os senadores têm à disposição uma PEC alternativa apresentada pela oposição na semana passada e um texto mais antigo sobre o tema, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), tida como mais difícil de deslanchar.

A definição sobre qual proposta ganhará tração caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em articulação com os principais líderes partidários da Casa, nos próximos dias. A decisão deve influenciar não só o ritmo da análise, mas também o formato final da nova escala e jornada trabalhista a ser aprovada pelos senadores.

Até este domingo (31), a PEC aprovada pela Câmara na última quarta (27), ainda não havia sido encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A perspectiva é que ela ande no Senado, mas sem a mesma rapidez da Câmara.

Alcolumbre mantém uma relação mais distante há meses de Lula, que se agravou com a rejeição do Senado à indicação presidencial de Jorge Messias ao Supremo. No entanto, a vontade do governo é ensaiar uma reaproximação aos poucos. Um dos articuladores neste sentido tem sido o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE).

A proposta da oposição, por sua vez, foi apresentada oficialmente na quinta (28) e já foi despachada à comissão no mesmo dia. A outra PEC, de Paulo Paim, passou pela CCJ e aguarda deliberação do plenário desde dezembro do ano passado.

O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que pretende priorizar a proposta aprovada pela Câmara, sob o argumento de que o texto foi amplamente debatido e recebeu apoio expressivo dos deputados. Ainda assim, ele disse considerar a PEC de Paulo Paim como a iniciativa pioneira sobre o tema e que, se possível, deveria ter a preferência.

Otto Alencar disse que já cobrou Alcolumbre para que paute essa PEC pronta para o plenário. No entanto, até o momento, o presidente do Senado não tem se comprometido com um calendário de análise nem dado declarações públicas sobre o assunto.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto avalia que a ampla votação obtida na Câmara fortaleceu o governo e aumenta a pressão para que o Senado avance rapidamente com a proposta recém-saída da Câmara. A expectativa de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é concluir a tramitação ainda antes do recesso parlamentar de julho.

Da forma como veio da Câmara, o texto propõe a redução da jornada de 44 horas para 40 horas por semana, em até 14 meses após a promulgação da medida. O fim da escala 6x1 e os dois dias de descanso semanais para os trabalhadores passam a valer 60 dias depois que a PEC for aprovada nas duas Casas.

O Senado inclusive já aprovou a realização de uma sessão temática para discutir o assunto de forma mais ampla, mas ainda não há previsão de data.

A oposição, por sua vez, pretende usar sua PEC alternativa como instrumento de negociação. Parlamentares ligados ao setor produtivo defendem ampliar o período de transição para as novas regras e flexibilizar a definição das jornadas por meio de acordos entre empregados e empregadores, além da remuneração por hora trabalhada.

Também há a possibilidade de tentar fundir parte das propostas durante a tramitação, ampliando o espaço para mudanças no texto que veio da Câmara. Essa iniciativa contraria a vontade do governo de justamente reduzir o tempo de implementação da medida.

Além disso, essa estratégia ampliaria a margem de negociação dos opositores para aumentar o tempo da transição e atender a pedidos do empresariado.

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