O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu cumprir o principal objetivo da sua viagem a Washington: uma foto ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca.
Para o bolsonarismo, a imagem por si só já representa uma vitória política. Trump é o principal nome da direita global e o presidente da maior economia do mundo. Como Flávio ressaltou, foi a primeira vez em que Trump recebeu na Casa Branca um pré-candidato à presidência do Brasil.
Mas o encontro deixou dúvidas sobre o tamanho real dessa aproximação.
Flávio Bolsonaro disse que permaneceu na Casa Branca entre às 15h e 16h40, mas sem especificar exatamente quanto tempo ficou no Salão Oval com Trump. Assessores deram versões diferentes sobre a duração do encontro. Alguns falaram em aproximadamente uma hora, outros mencionaram períodos menores.
A Casa Branca não informou quanto tempo durou a visita também não divulgou detalhes da conversa. Fontes do governo americano apenas confirmaram que o encontro aconteceu.
A comparação com o encontro entre o presidente americano e Lula, no último dia 7 de maio, é inevitável. A previsão era de que o encontro com o presidente brasileiro fosse de cerca de uma hora, entre reunião e almoço. Mas a agenda se estendeu e eles ficaram juntos por pelo menos três horas.
Trump fez duas declarações públicas sobre a reunião, publicou uma mensagem nas redes sociais se referindo a Lula como "o dinâmico presidente do Brasil" e destacou que eles discutiram comércio, tarifas e outros temas. Houve fotos oficiais, com aperto de mãos e os líderes caminhando pela Casa Branca.
No encontro com Flávio Bolsonaro houve menos informações por parte do governo americano e mais dúvidas sobre o formato exato da conversa.
Segundo Flávio e seus aliados, Trump perguntou sobre a saúde do seu pai, eles conversaram sobre minerais críticos, crime organizado e eleições no Brasil. Flávio defendeu que os Estados Unidos avancem na designação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. A pauta agrada a direita mais conservadora, mas incomoda o governo Lula, que vê esse movimento como uma possível afronta à soberania brasileira.
Sobre eleições, Flávio admitiu que a corrida eleitoral tem “altos e baixos”, reconheceu que a disputa é apertada e que há um empate técnico com Lula em alguns cenários. Ainda assim, o senador ressaltou que acredita numa vitória em 2026.
O entorno de Flávio relata que Trump teria compreendido o cenário complexo das eleições, mas sequer teria conhecimento das questões envolvendo o Banco Master.
Mas se por um lado há dúvidas sobre a extensão do encontro, por outro é inegável que a viagem desvirtuou o foco do desgaste causado pelo áudio em que o senador pede recursos a Daniel Vorcaro para o filme sobre seu pai.
A própria equipe de Flávio sinalizou que o objetivo era mudar a pauta. Antes do início da entrevista coletiva, assessores pediram para que os jornalistas evitassem perguntas sobre assuntos domésticos e se concentrassem apenas na agenda da viagem. Uma tentativa clara de manter o noticiário focado na aproximação com Trump e evitar que temas sensíveis que contaminassem a visita.
A CNN perguntou se havia uma tentativa de desvirtuar o foco, mas o pré-candidato disse que a viagem não tinha esse objetivo de maneira alguma. Bolsonado acrescentou que ele "não tem nada a esconder" e que "já falou tudo" sobre o banco Master.
Tanto Flávio quanto Lula viajaram aos Estados Unidos na esperança de que um encontro com Trump mudasse a pauta no brasil. Flávio enfrenta uma crise interna após a revelação do áudio a Vorcaro, Lula havia acabado de sofrer derrotas com a rejeição de Jorge Messias ao STF e do PL da dosimetria.
Mas são crises de natureza diferentes e encontros com robustezes distintas.
O encontro entre Lula e Trump rendeu dividendos, como revelaram as pesquisas na semana seguinte após a viagem. Resta saber se com Flávio o desfecho será parecido.