Antes mesmo de sacramentada a votação do fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados, o governo Lula já discute nos bastidores maneiras de assegurar que a proposta não trave nas tensões que marcaram nos últimos meses a relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Braasil - AP).
Desde o fim de semana, enquanto ainda alinhava os termos do acordo selado hoje com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o governo já discutia com interlocutores a preocupação em contemplar os senadores na tramitação. O governo tem como desafio aliviar as pressões por uma mudança profunda demais no texto a ser votado na Câmara, que acabe retirando parte dos dividendos da proposta para as eleições deste ano.
Nesta segunda-feira (25), o governo agiu para encurtar ao máximo a transição do fim da escala 6x1, conseguindo de Motta o compromisso de que essa adaptação dos setores afetados se dê no prazo de aproximadamente um ano. As especulações nos bastidores citavam até mesmo a possibilidade de o relatório contemplar uma transição ainda menor, de até seis meses.
O prazo muito inferior ao que vinha sendo negociado publicamente pelos parlamentares tem vários motivos. O principal é garantir um chamariz para as eleições deste ano, uma vez que o objetivo final de Lula é assegurar que o fim da escala 6x1 seja uma bandeira para a eleição. Além disso, como informou a analista da CNN Larissa Rodrigues, o governo quer deixar alguma margem para negociação da proposta antes da votação.
Nos bastidores, já se ventila a perspectiva de o tempo de transição aumentar ainda na Câmara. As conversas entre a articulação política do governo vão no sentido de garantir também que os senadores tenham protagonismo na aprovação da matéria. Até para que seja possível apresentar o fim da escala 6x1 ao eleitor como resultado de um esforço conjunto entre Executivo e Congresso.
Uma possibilidade aventada, nesse caso, é que o texto saia da Câmara com espaço suficiente no prazo de transição para que os senadores possam colocar a digital numa redução.
Embora não menospreze o desgaste na relação com o Senado, o governo vem alimentando previsões otimistas sobre a votação da PEC do fim da escala 6x1 no Congresso. Há o entendimento de que seria muito difícil parlamentares impor resistência a um tema tão popular a poucos meses da eleição. Ainda assim, o Planalto quer encontrar um ponto de equilíbrio, aliviando também a reação dos setores econômicos afetados.