Agro se reúne e reavalia apoio a Flavio após envolvimento com Vorcaro
Segunda-feira, 25 de Maio de 2026    08h48

Agro se reúne e reavalia apoio a Flavio após envolvimento com Vorcaro

Entidades vão debater estratégia do setor para eleições deste ano

Fonte: Caio Junqueira/CNN
Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O pré-candidato à Presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

 

CNA (Confederação Nacional da Agricultura), principal entidade representativa do agronegócio brasileiro, convocou para a próxima quarta-feira (27) uma reunião com todos os presidentes de federações de agricultura dos estados para debater as eleições deste ano.

A reunião já estava prevista antes mesmo do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso Master, mas o assunto reforçou a necessidade de um debate entre as lideranças do agronegócio brasileiro, por ele ser até então o candidato à Presidência que tinha mais apoio do setor.

Segundo uma influente fonte do agronegócio, a percepção hoje no setor é de que a confiança no candidato foi quebrada e o processo de recuperação de sua credibilidade será difícil.

Outra fonte rematou que nos bastidores já se falava que poderiam surgir denúncias contra Flávio, dado seu histórico de envolvimento em denúncias de corrupção, mas que ainda assim o setor apostou nele como o nome mais forte contra o presidente Luiz Inácio da Lula da Silva (PT), por quem o setor tem ampla rejeição.

Diante disso, a reunião tratará do cenário eleitoral para que o setor possa se organizar e dar apoio aos candidatos alinhados à agenda do agronegócio.

Há especial curiosidade sobre se um nome alternativo a Flávio poderia surgir. Embora Ronaldo Caiado (PSD) seja uma liderança histórica do setor, a percepção é de que ele não conseguirá emplacar sua candidatura com força e que os primeiros sinais são de que Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) estão herdando os votos de Flávio após a crise na campanha.

O setor, porém, avalia que Zema é um bom nome, mas não se viabiliza pelos problemas que declarações suas causaram no Nordeste, e que Renan seria uma “aventura” nas eleições deste ano.

Uma possibilidade defendida é uma chapa que una a ex-ministra da Agricultura e atual senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), mas ela é vista hoje como improvável de se viabilizar pela rejeição do próprio Jair Bolsonaro a ela. Se ninguém se viabilizar, o setor deverá caminhar para um voto, ainda que “envergonhado”, em Flávio.

A ideia na reunião da CNA também é traçar um cenário para o Congresso Nacional a partir de 2027. Muito embora a Frente Parlamentar da Agropecuária seja a maior, mais organizada e estruturada de Brasília, a leitura é de que é preciso fortalecer o grau de fidelidade dos parlamentares à agenda do agro.

Há incômodo, por exemplo, pelo fato de muitos integrantes da frente sinalizarem que votarão a favor da PEC que prevê o fim da escala 6x1, à qual o agro se opõe por afetar a dinâmica de trabalho no campo.

Hoje, a FPA tem cerca de 350 parlamentares inscritos formalmente — mais da metade do Congresso —, mas a avaliação é de que algo entre 30 e 50 são os mais fiéis e combativos. A CNA pretende, nesse sentido, alinhar com os presidentes de federações a forma como eles e seus mais de 2.000 sindicatos poderão ajudar na campanha, apoiando nomes comprometidos com o agro.

Há o entendimento de que algumas federações já fazem mais fortemente esse trabalho, mas outras não. Para tanto, o advogado da CNA, Carlos Bastide, irá também fazer uma apresentação sobre até onde os sindicatos e federações poderão atuar sem ferir a legislação eleitoral.

AACC-MS
Fortuna
www.midianewsms.com.br
© Copyright 2013-2026.