Se depender da expectativa de integrantes de sua campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tende a evitar ataques mais duros a Flávio Bolsonaro (PL) diante do aprofundamento da crise sobre o elo do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Embora tenha dito que se trata de um “caso de polícia”, Lula, segundo pessoas próximas, tem sido aconselhado a se concentrar prioritariamente em uma agenda positiva, voltada à retomada da aprovação do governo.
Dentro do time petista, a orientação é que líderes da sigla e de outros partidos da base se encarreguem dos ataques mais duros a Flávio. A ordem, nesse caso, é não deixar a crise aberta pela reportagem do Intercept Brasil esfriar, exaltando em declarações públicas e nas redes sociais o fato de Flávio ter cobrado de Vorcaro pagamentos milionários para bancar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula falou pouco até agora a respeito das denúncias envolvendo Flávio. Ontem, ao ser questionado sobre o assunto em visita à Bahia, Lula disse que não comentaria o assunto e emendou que este é um “caso de polícia”.
“Eu não vou comentar. É caso de polícia, não é meu, eu não sou polícia, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia! Tem algum delegado aqui? Não tem! Então vá na primeira delegacia da PF e pergunte como vão tratar isso”, afirmou Lula.
Aliados próximos entendem que a crise que atinge o bolsonarismo tende a facilitar a estratégia governista para recuperar a popularidade do petista.
Nesta semana, pesquisa Genial/Quaest trouxe alguns primeiros sinais de uma recuperação, com uma receptividade dos entrevistados a medidas como Desenrola 2.0 e a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil.
A crise envolvendo Flávio ocorre ao mesmo tempo em que Lula põe em prática um pacote de bondades para eleição. Entram nessa lista ainda outras medidas, como, por exemplo, o fim da taxa das blusinhas e os subsídios aos combustíveis.