Trama golpista: defesa pede anulação de condenação e que Bolsonaro seja absolvido
Sexta-feira, 08 de Maio de 2026    18h36

Trama golpista: defesa pede anulação de condenação e que Bolsonaro seja absolvido

Pedido de revisão criminal não está relacionado a Lei da Dosimetria, que entrou em vigor nesta sexta-feira (8).

Fonte: G1
Foto: Mateus Bonomi/Reuters
O ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, aparece na porta de sua casa, durante sua prisão domiciliar, em Brasília, Brasil, em 21 de novembro.

 

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou nesta sexta-feira (8) ao Supremo Tribunal Federal a revisão criminal no processo em que foi condenado a 27 anos e 3 meses.

A revisão criminal, que é um instrumento que permite a um condenado que já teve uma sentença considerada definitiva, portanto não tem mais chance de recursos, pedir a reavaliação do seu caso.

A medida não representa um novo julgamento e é considerada excepcional.

Os advogados de Bolsonaro pedem que com o pedido de revisão criminal, o Supremo:

  • anule o processo, reconhecendo-se a competência originária do Plenário para julgar a ação penal;
  • anule a colaboração premiada do corréu Mauro César Barbosa Cid, reconhecendo também a nulidade de todas as provas dela decorrentes;
  • anule o processo em virtude de manifesto cerceamento de defesa;
  • absolva o ex-presidente de todos os crimes imputados.
  • A defesa de Bolsonaro pede que a ação seja distribuída entre os ministros da Segunda Turma que não tenham participado do julgamento da trama golpista no ano passado.

    No pedido, defendem a anulação do processo. Consideram que o caso deveria ser julgado pelo plenário da Corte. Apontam ainda cerceamento de defesa e nulidades na delação de Mauro Cid.

    A defesa do ex-presidente afirma no pedido que busca "correção de erro judiciário consumado em decisão transitada em julgado, em hipóteses expressamente admitidas pelo sistema processual penal brasileiro".

    O que é revisão criminal

    O objetivo da revisão criminal é anular uma condenação definitiva quando houver comprovação de erro judiciário. Por isso, trata-se de uma medida excepcional, admitida apenas em situações específicas.

    O pedido só pode ser apresentado após encerrado o processo, quando já não há mais chances de recursos. No caso de Bolsonaro, isso ocorreu em novembro do ano passado.

    As defesas podem recorrer à revisão criminal a qualquer momento durante a execução da pena, desde que apresentem novos elementos de investigação — não serve para reexaminar fatos já discutidos no processo.

    As normas internas do Supremo determinam que o relator da ação penal original não participa do sorteio para conduzir a revisão criminal. O ministro sorteado poderá:

  • Admitir o pedido;
  • Determinar a produção de novas provas.
  • Após isso, o condenado e a Procuradoria-Geral da República serão ouvidos em até cinco dias.

    Se a revisão for aceita, o tribunal pode:

  • Absolver o condenado;
  • Alterar a classificação do crime;
  • Reduzir as penas;
  • Anular o processo.
  • No entanto, o processo não pode levar ao aumento da pena inicialmente prevista.

    Em caso de absolvição, o condenado recupera os direitos suspensos e pode pedir indenização pelo erro judiciário.

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