Oito bençãos para uma vida temente a Deus
Quarta-feira, 06 de Maio de 2026    09h14

Oito bençãos para uma vida temente a Deus

Como a reverência amorosa a Cristo se manifesta na vida do cristão

Fonte: Christopher Ash
Foto: Falando do Evangelho

 

1. Conhecer a Deus é temer a Deus.

Talvez o versículo mais conhecido sobre o temor do Senhor seja Provérbios 1.7: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução”. Esse refrão se repete em vários outros lugares (por exemplo, Provérbios 9.10; Salmo 111.10). “Princípio”, aqui, não significa um ponto de partida a partir do qual avançamos. Significa algo como um alicerce sobre o qual construímos. Está presente no início e sempre estará. Retire-o e a construção desmorona. O temor do Senhor está sempre presente como a base da vida de fé. Por quê? Uma resposta fundamental é que não é possível conhecer verdadeiramente a Deus sem temê-Lo. Se você busca sabedoria, escreve Salomão,

Então você entenderá o temor do Senhor e encontrará o conhecimento de Deus. (Provérbios 2.5)

Se você pensa que conhece a Deus — talvez alegando alguma compreensão religiosa, conhecimento místico ou entendimento filosófico da divindade — mas não o teme, então você verdadeiramente não o conhece. Deus é o Criador. Ele é infinito em poder e majestade, deslumbrantemente puro em santidade, assustadoramente justo em julgamento. Sim, Jesus disse que fez de seus discípulos seus amigos (João 15.14-15). Mas se você pensa que isso significa que pode ser amigo dele, está redondamente enganado. Conhecer verdadeiramente a Deus é curvar-se em reverente temor e adoração diante dele.

2. O temor do Senhor traz santidade.

Porque conhecer a Deus é temer a Deus, o temor a Deus traz consigo uma grande reverência pelas Escrituras e pela lei de Deus. Ao se alegrar nessa lei, Davi escreve: “O temor do Senhor é puro”, isto é, moralmente puro (Salmo 19.9). Longe de nos permitir continuar pecando porque somos perdoados, o temor do Senhor nos dá um ódio saudável ao mal (Provérbios 8.13). É “pelo temor do Senhor” que “a pessoa se desvia do mal” (Provérbios 16.6).

Viver na presença de Deus, conhecê-lo verdadeiramente, nos leva a abandonar toda forma de pecado, a rejeitar a comunhão com as trevas. Como Paulo escreve: “Portanto, amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de toda impureza da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Coríntios 7.1).

Por exemplo, às vezes me vejo tentado a mentir para me livrar de uma situação difícil. Me convenço de que é uma pequena mentira, uma “mentirinha”, e que se justifica pelas circunstâncias. Como resistir a essa tentação? Posso ter medo de ser descoberto. Isso me dissuadirá. Mas se eu me lembrar de que Deus, que é o justo juiz de toda a terra, está observando, ouvindo, percebendo tudo, vendo os segredos do meu coração enquanto reflito sobre isso, me verei curvando-me em reverente temor a Ele.

Eu pertenço a Ele em Jesus. Nada pode me separar de Cristo. Mesmo assim, me curvo em adoração e temor reverente ao meu Criador. Jesus me aproximou do grande Deus, que é um fogo consumidor, de modo que este Deus cegamente santo é meu Pai. Viver na lembrança diária disso promoverá a santidade em meu coração e em meus lábios.

O terror diante de Deus paralisa. Mas o temor reverente e amoroso transforma. Esse coração grato de adoração alegre é um coração que foge do pecado.

3. O temor do Senhor traz alegria e conduz à vida.

O temor reverente do crente perdoado traz grande alegria. Talvez em nenhum outro lugar isso seja expresso de forma tão bela quanto no Salmo 34.8-11: “Oh, provem e vejam como o Senhor é bom”, exclama Davi (e, no fim, nos chama Jesus). E, portanto, porque ele é bom, “temam ao Senhor”. Se vocês o temerem, nada lhes faltará, nada de bom. E assim, Davi (e, em última instância, Jesus) nos convida: “Venham, filhos, ouçam-me; eu lhes ensinarei o temor do Senhor”. Este é um convite feliz!

Temer ao Senhor dessa maneira é motivo de alegria, pois nos conduz a uma vida verdadeira e eterna. Essa conexão entre o temor do Senhor e a vida real é um tema recorrente em Provérbios:

O temor do Senhor prolonga os dias da vida,
mas os anos dos perversos serão abreviados. (Provérbios 10.27)

No temor do Senhor, tem o homem forte amparo,
e isso é refúgio para os seus filhos.

O temor do Senhor é fonte de vida
para evitar os laços da morte. (Provérbios 14.26-27)

Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor,
do que grande tesouro onde há inquietação. (Provérbios 15.16)

O temor do Senhor conduz à vida;
aquele que o tem ficará satisfeito,
e mal nenhum o visitará. (Provérbios 19.23)

O galardão da humildade e o temor do Senhor
são riquezas, e honra, e vida. (Provérbios 22.4)

Não tenha o teu coração inveja dos pecadores;
antes, no temor do Senhor perseverarás todo dia.
Porque deveras haverá bom futuro;
não será frustrada a tua esperança. (Provérbios 23.17-18)

A lógica por trás desses provérbios é a seguinte: o temor do Senhor nos mantém caminhando com Ele e, portanto, nos mantém caminhando na vida e em direção à vida. Mas não temer o Senhor é não caminhar com Ele e, portanto, é trilhar um caminho de morte. 

O temor do Senhor é motivo de grande alegria.

4. O temor do Senhor traz humildade.

Um dos perigos na vida de fé é que a certeza do perdão de Deus e a compreensão das promessas do Evangelho podem se transformar em orgulho. Podemos nos tornar autossuficientes, complacentes em relação à nossa piedade. O temor do Senhor é o antídoto:

O temor do Senhor é a instrução da sabedoria,
e a humildade precede a honra. (Provérbios 15.33)

Escrevendo aos cristãos gentios que corriam o risco de se orgulharem de sua nova fé, tentados a desprezar os “ramos” judeus que foram cortados da fé por causa da incredulidade, Paulo escreve: “Não te ensoberbeças, mas teme.” (Romanos 11.20). Ou seja, andem em temor reverente ao Senhor, para que vocês também não caiam na incredulidade e sejam cortados da “da raiz e da seiva da oliveira” (11.17).

Temer ao Senhor com amorosa reverência nos mantém em nosso lugar como criaturas e pecadores perdoados.

5. O temor do Senhor nos prepara para o sacrifício e o sofrimento.

O temor do Senhor nos torna dispostos a tomar a nossa cruz, negar a nós mesmos e seguir a Cristo, custe o que custar. Abraão e Jó, dois brilhantes crentes da antiga aliança, exemplificam isso para nós.

Quando Deus testa Abraão e lhe ordena que sacrifique Isaque, seu único filho, Abraão está disposto a obedecer. Quando o anjo de Deus o impede de cumprir a ordem, ele diz: “pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho.” (Gênesis 22.12). Se Abraão não temesse verdadeiramente a Deus, jamais teria obedecido a essa provação tão dolorosa. Mas ele temia a Deus. E esse temor piedoso o tornou disposto.

Três vezes, Jó é descrito como um homem temente a Deus. O narrador nos diz isso logo no primeiro versículo (Jó 1.1). Deus então o afirma duas vezes (Jó 1.8; 2.3). Desde o início, sabemos que estamos lendo a história de um homem que teme a Deus. Vemos Jó enfrentando os mais terríveis sofrimentos. Ele comete erros. Diz coisas que não deveria dizer e das quais se arrepende no final. Mas fica claro que ele confia no Deus a quem teme. Sua reverência piedosa o conduz através do fogo e do dilúvio.

É quase impossível superestimar a bênção do temor do Senhor. Certamente passaremos por momentos de tristeza e sofrimento. Um coração que verdadeiramente teme a Deus continuará seguindo em frente, um passo de cada vez, nesses dias.

O temor a Deus nos prepara para sofrer sem perder a fé.

6. O temor do Senhor molda nossa atitude em relação à autoridade e a forma como a utilizamos.

Uma das implicações sociais mais profundas da crença em Deus é a convicção de que toda autoridade humana deriva da autoridade de Deus. A sociedade humana precisa ser devidamente ordenada. Alguns de nós somos chamados a exercer essa autoridade derivada — por exemplo, como magistrados ou juízes, como gerentes, como pastores, como pais, como maridos. O tipo de autoridade exercida varia de acordo com o contexto. Mas o exercício da autoridade está intrinsecamente ligado às sociedades humanas ordenadas em todos os níveis. Uma sociedade desordenada é a anarquia, e esse é um lugar terrível onde os mais fracos são destruídos.

O temor a Deus é fundamental para o exercício correto da autoridade. Quando Moisés começa a delegar sua autoridade governamental em Êxodo 18.13-27, Jetro o aconselha a “escolher dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, íntegros e que detestem suborno, e colocá-los sobre o povo” (Êxodo 18.21). Eles devem ser íntegros e não se deixarem corromper. Mas, acima de tudo, devem ser homens que temem a Deus. Seu temor reverente a Deus significa que exercerão sua autoridade com integridade piedosa.

O temor a Deus também é crucial para aqueles que se submetem à autoridade. Pedro exorta os crentes a serem bons cidadãos, ordenando-lhes que “temam a Deus” e “honrem o imperador”, onde imperador é uma abreviação para toda autoridade civil (1 Pedro 2.17; cf. Romanos 13.1-7). Quem demonstra o devido respeito às autoridades humanas? Aqueles que temem a Deus. Da mesma forma, Paulo exorta aqueles em posições de subordinação a trabalharem bem porque temem a Deus. “Escravos, obedeçam em tudo aos seus senhores terrenos, não apenas quando eles estão olhando, para agradá-los, mas com sinceridade de coração, temendo ao Senhor” (Colossenses 3.22; cf. Efésios 6.5-8). O temor piedoso ao Senhor os leva a servir e a trabalhar bem nessas relações humanas.

O temor do Senhor molda tanto a maneira como exercemos a autoridade (com justiça) quanto a maneira como nos submetemos à autoridade (com respeito e serviço voluntário).

7. O temor do Senhor nos leva a nos preocuparmos com os perdidos.

Em 2 Coríntios 5, Paulo estabelece uma conexão fascinante entre o temor do Senhor e a evangelização. Ao escrever sobre o porquê de buscar persuadir homens e mulheres a se reconciliarem com Deus por meio de Cristo e uns com os outros em Cristo, ele diz: “Conhecendo o temor do Senhor, persuadimos os outros” (2 Coríntios 5.11). Seu temor piedoso, amoroso e reverente ao Senhor é o motor de sua preocupação com os perdidos. Assim será também conosco.

Existem duas maneiras pelas quais o conhecimento desse “temor do Senhor” nos leva a persuadir as pessoas. A primeira — e provavelmente a principal — é que o temor verdadeiro a Deus nos leva a compreender algo dos horrores do justo julgamento de Deus sobre aqueles que não se arrependem. Contemplamos, por assim dizer, o abismo do inferno, e a ideia de que homens e mulheres que amamos possam ir para lá nos horroriza tanto que faremos tudo o que pudermos para persuadi-los ao arrependimento.

O segundo exemplo encontra-se na passagem de Ezequiel 33, na qual o Senhor diz a Ezequiel que ele é um “vigia”. Assim como um vigia da cidade deve dar o seu aviso quando a cidade está sob ataque, Ezequiel é responsável perante Deus por alertar as pessoas sobre o julgamento iminente. O seu temor piedoso ao Deus que o incumbiu torna-o zeloso em alertar os outros.

8. O temor do Senhor significa que não precisamos ter nenhum outro medo.

Falando aos discípulos que frequentemente seriam atacados, perseguidos e injustiçados, o Senhor Jesus disse:

Não temam aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temam antes aquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno. (Mateus 10.28)

A chave para não temer todas as pessoas e poderes que podem ser tão assustadores neste mundo é temer a Deus. O temor a Deus é o temor que expulsa outros medos! Nosso problema fundamental não é que temos medo demais, mas sim que temos medo de menos. Tememos demais os poderes sombrios e assustadores deste mundo porque tememos a Deus de menos.

Jesus deixa claro que o temor piedoso é diferente do medo que sentimos das pessoas. Imediatamente após a declaração acima, ele diz: “Não se vendem dois pardais por um centavo? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais” (Mateus 10.29-31). Nós nos curvamos diante do nosso Pai celestial com um temor alegre e reverente — reconhecendo a sua justiça e o seu poder, sim, e também o seu cuidado pessoal. Sabemos o nosso valor aos seus olhos. Sabemos o quanto ele nos ama. Esse tipo de temor alegre expulsa todos os outros medos.

Pedro encoraja os cristãos que sofrem com palavras semelhantes:

Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração… (1 Pedro 3.14-15)

Honrar a Cristo como santo é temer a Deus. Esse temor expulsa todos os outros medos. Aleluia!

O temor a Deus imita a Cristo.

Encerramos com talvez a mais maravilhosa verdade de todas: O Senhor Jesus Cristo temeu a Deus nos dias de sua vida terrena. Quando andamos no temor do Senhor, seguimos seus passos. Profetizando sobre o Messias, Isaías disse, como é sabido:

Do tronco de Jessé sairá um rebento,
e das suas raízes, um renovo.
Repousará sobre ele o Espírito do Senhor,
o Espírito de sabedoria e de entendimento,
o Espírito de conselho e de fortaleza,
o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor.
Deleitar-se-á no temor do Senhor… (Isaías 11.1-3) 

O Messias, o Cristo, o Homem do Espírito, foi o Homem que andou pelo Espírito no temor do Senhor. Nos dias de sua vida terrena, ele se prostrou em reverente temor diante de seu Pai. E ele se deleitava nesse temor. Esse temor era o trampolim, o motor, o belo condutor de sua vida de fé.

Que assim seja também para nós.

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