Trabalhar com excelência — o que a Bíblia fala sobre isso?
Quarta-feira, 06 de Maio de 2026    09h12

Trabalhar com excelência — o que a Bíblia fala sobre isso?

Fonte: John Piper
Foto: Falando do Evangelho

 

Será que é pecado não atingir a excelência no nosso trabalho? Esta é uma ótima pergunta, relevante para empresários, donas de casa, voluntários, estudantes — para todos nós. E a pergunta nos foi enviada por um ouvinte chamado Dylan.

Eis o que ele pergunta: “Pastor John, olá! Em Colossenses 3.22-24, Paulo exorta seus leitores a ‘trabalharem de todo o coração, como para o Senhor e não para os homens’. Isso significa que qualquer trabalho que não seja feito com excelência é pecado? Como aplicamos a visão de Deus sobre o trabalho à limpeza da nossa casa, à redação de um trabalho escolar ou ao trabalho das nove às seis? Tenho me sentido culpado pela maneira como lido com essas coisas há meses, e não sei se estou apenas sendo arrogante ou se estou sendo desobediente ao Senhor. Paulo está descrevendo um tipo de excelência em tudo o que fazemos?”

Permitam-me começar com uma ilustração do meu ministério de cerca de trinta anos atrás. Naquela época, estávamos debatendo em nossa igreja como definir as expectativas de excelência na música, nos cultos. E havia um grupo que enfatizava a excelência técnica e citava 2 Samuel 24.24: “Não oferecerei holocaustos ao Senhor meu Deus que não me custem nada” — o que, aplicado à nossa situação, significava: “Não oferecerei a Deus nenhuma música em nossos cultos que não tenha me custado um esforço extraordinário de prática para torná-la tecnicamente excelente, até mesmo impecável”.

Havia outro grupo, ou talvez eu devesse dizer, havia eu. Eu apreciava esse compromisso com a excelência; no entanto, minha gentil objeção a essa ênfase era que, na igreja cristã, Deus não se importa apenas se somos excelentes músicos, mas também se importa se somos excelentes em perdoar. Foi assim que eu coloquei — se somos excelentes em paciência, excelentes em longanimidade. Por exemplo, se demonstramos paciência e perdão quando o esforço musical de alguém não foi impecável.

Em outras palavras, quando se trata de excelência na vida cristã, jamais devemos limitá-la à maneira como uma pessoa executa uma habilidade ou um ofício. Devemos sempre levar em conta a excelência nas atitudes, nas emoções e nos relacionamentos. Deus tem muito mais a dizer em Sua palavra sobre se estamos irados em nossa atitude do que sobre se somos competentes em nossa habilidade.

Excelência sem distrações

A forma como finalmente chegamos a essa conclusão entre o nosso povo, entre os nossos líderes, foi usar esta frase como nosso objetivo: excelência sem distrações. Em outras palavras, há algo maior, mais profundo e mais importante acontecendo neste culto do que a qualidade técnica da música. Não é que seja irrelevante; simplesmente não é o mais importante. O objetivo aqui é conhecer a Deus, encontrar-se com Deus, amar a Deus, valorizar a Deus, confiar em Deus, desfrutar da presença de Deus.

Esses são todos atos do coração e da mente. Tudo o mais está subordinado a isso neste serviço, ajudando as pessoas a chegarem a esse objetivo, incluindo a excelência de nossas apresentações — seja na música, no sistema de som, na iluminação, no aquecimento, no ar condicionado, na pregação ou nas roupas que vestimos. Tudo visa remover obstáculos — evitar distrações — e servir conhecendo a Deus, encontrando a Deus, amando a Deus, valorizando a Deus, confiando em Deus, desfrutando de Deus. Capturamos esse objetivo colocando o adjetivo “sem distrações” depois da palavra “excelência” .

Isso implicava que um trabalho malfeito não só poderia distrair do encontro com Deus (se a pessoa continuar a cometer erros, todos ficarão constrangidos; ficarão distraídos — isso não vai funcionar). Mas também, o excesso de refinamento poderia distrair da realidade espiritual do encontro com Deus. E estou pensando nisso na pregação, não apenas na música. Um sermão pode ser tão malfeito em sua ordem e clareza que não ajuda. E pode ser tão refinado retoricamente que distrai e não ajuda. Portanto, o critério deixou de ser uma visão abstrata de excelência técnica e se tornou um objetivo espiritual de remover os obstáculos que impedem as pessoas de ver e desfrutar de Cristo.

Trabalhando a partir da alma

Agora, Dylan está perguntando sobre Colossenses 3.22-24 e como esse versículo nos chama à excelência. Aqui está o texto:

Escravos, obedeçam em tudo aos seus senhores terrenos, não apenas quando eles estiverem olhando, para agradá-los, mas com sinceridade de coração, temendo ao Senhor. Tudo o que fizerem, façam de coração [literalmente ek psyches , “com a alma”], como para o Senhor e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a herança como recompensa. É a Cristo, o Senhor, que vocês servem.

Acho que Dylan está certo ao extrair princípios para todos nós desses versículos, mesmo que sejam direcionados a escravos e senhores. Digo isso porque Colossenses 3.17, logo acima deste parágrafo, diz: “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus”. E creio que Paulo está simplesmente aplicando esse princípio universal para todos nós à relação entre escravo e senhor, para que todos possamos aprender com sua aplicação. Gostaria de destacar três coisas que ele diz.

Evite a hipocrisia

Primeiro, não tente apenas agradar as pessoas superficialmente enquanto seu coração não se importa com elas e nem com a qualidade do seu trabalho, contanto que elas o considerem bom. Isso é “agradar aos olhos”; é buscar agradá-las. Em outras palavras, não seja hipócrita.

Se você quer passar a impressão, externamente, ao seu chefe, professor, cônjuge ou amigo, de que você está fazendo algo para agradá-los, então faça algo que realmente os agrade. Não seja hipócrita. Não seja uma pessoa de duas caras ou de comportamento duplo, que busca agradá-los externamente, enquanto, no fundo, não fez um bom trabalho e esconde isso deles. Essa mentalidade afetaria significativamente a qualidade do seu trabalho. E Paulo diz: “Não a tenham”.

Trabalhe para Jesus

Em segundo lugar, seja qual for o seu trabalho e para quem quer que você trabalhe como cristão, sempre pense em Jesus Cristo como aquele a quem você prestará contas da qualidade do seu trabalho e da qualidade das suas atitudes no trabalho. Colossenses 3.24 diz: “Vocês estão servindo ao Senhor Cristo” — o que significa que, seja quem for que você esteja servindo, na verdade você está servindo a Cristo ao servi-lo. Portanto, seja qual for a atitude e a qualidade do trabalho que você teria se Cristo fosse seu chefe direto, faça esse trabalho com essa atitude.

Olhe para a recompensa

E em terceiro lugar, Paulo diz: “Tenham em mente que a recompensa pelo bem que vocês fizerem virá do Senhor, ainda que não venha dos homens”.

Portanto, claramente, Paulo está dizendo: (1) que não devemos ser hipócritas ou enganadores que buscam agradar aos homens; (2) que, em última análise, nosso supervisor para esta tarefa de casa, trabalho doméstico ou trabalho profissional é o próprio Senhor Jesus; e (3) que nossa recompensa vem dele, não principalmente dos professores, cônjuges ou chefes — tudo isso exercerá influência na qualidade do trabalho que fazemos e nas boas atitudes com que o fazemos.

Há mais em jogo do que a excelência

Então Dylan pergunta: “Isso significa que qualquer trabalho que não seja feito com excelência é pecado?” E se essa pergunta deve ser respondida com precisão, eu diria que a resposta é não, nem sempre. Nem sempre é pecado. Não é tão simples assim.

Por exemplo, se você decidir pintar seu próprio quarto em vez de contratar um pintor profissional, porque acha que Deus quer que você dê o dinheiro que pagaria ao pintor a algum amigo missionário, e você não for um pintor muito habilidoso, como Deus verá a os respingos que você deixou no rodapé e até mesmo no piso de sua casa?

Falo por experiência própria. Um pintor habilidoso tem tanta precisão que não passa pela cabeça dele entregar a pintura de uma casa com respingos no rodapé, no piso ou com linhas tortas entre paredes de cores diferentes. Eis a minha resposta: Deus não verá os meus respingos e minhas linhas tortas como pecado. Não verá, mesmo que não sejam tecnicamente perfeitas, como as de um pintor. Em outras palavras, há coisas maiores em jogo.

Mas se eu me anunciar como pintor profissional, com a minha habilidade atual, e entrar no quarto de alguém e pintar a parede deixando respingos por toda a parte, deixando o acabamento bem amador como eu consigo fazer, mas esperando que a pessoa não veja e não perceba o quão malfeito é comparado ao que um pintor de verdade faria, isso será um pecado.

Dê o seu melhor

O mesmo se aplica a muitas situações. Não é pecado tirar um B em álgebra em vez de um A, se você se esforçar e der o seu melhor. Não é pecado fazer cinco vendas esta semana em vez de dez, se você estiver se dedicando ao máximo.

E eu definiria “o seu melhor” assim: “o seu melhor” é definido como um esforço falível para levar em conta todos os fatores relevantes, como sono (quando você dorme), saúde, família, idade, energia, talentos e outros relacionamentos que precisam de atenção. E então, quando tudo estiver dito e feito, você se entrega à graça de Cristo, que morreu por você para que você pudesse desfrutar do seu perfeito perdão.

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