Integrantes do governo brasileiro esperam que a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), e seus desdobramentos, fiquem fora da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nesta quinta-feira (7), na Casa Branca.
Apesar da tensão gerada pelo caso em abril, a avaliação de membros do Executivo que acompanham os preparativos da viagem a Washington é de que o episódio não tem dimensão para ocupar uma agenda de trabalho entre os dois chefes de Estado. As prioridades, segundo auxiliares do governo, são as questões comerciais e o combate ao crime organizado.
Ramagem foi preso no dia 16 de abril por estar com o visto vencido, após ser flagrado em uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida. Na ocasião, a PF (Polícia Federal) divulgou uma nota afirmando que a medida era fruto da cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
Condenado a 16 anos pelo plano de golpe, o ex-deputado foi solto dois dias depois. O ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo Bolsonaro tem um pedido de asilo político sob a alegação de sofrer perseguição política.
Após Ramagem deixar a prisão, os Estados Unidos determinaram a saída do delegado da PF Marcelo Ivo Carvalho, que atuava como oficial de ligação com o ICE em Miami, sob a alegação de que ele teria atuado irregularmente na detenção do ex-deputado.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, publicou nas redes sociais o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado.
Em reação, o governo Lula adotou a reciprocidade e também exigiu a saída do agente americano Michael William Myers, que estava no Brasil desde 2024 e atuava como homólogo de Carvalho na área de imigração.
A soltura de Ramagem foi considerada uma vitória pelo bolsonarismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo mantêm contatos com integrantes do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio.
Já o governo relativiza a influência da direita brasileira nos Estados Unidos, afirmando que ter acesso ao Departamento de Estado não significa ter passe livre no Salão Oval, onde Lula será recebido.
Lula embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, nos Estados Unidos, tentando calibrar as expectativas para o encontro com Donald Trump, na Casa Branca, previsto para quinta-feira (7). Ele estará acompanhando do chanceler Mauro Vieira, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do diretor-geral Andrei Rodrigues.
A agenda é tratada como um marco importante na relação bilateral após a crise iniciada com a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Ainda assim, o governo Lula evita dar à conversa no Salão Oval um clima de “final de campeonato”, em que o único resultado possível seria a existência de um vencedor e um derrotado.