A PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 expõe um cenário de divergência dentro do governo entre a equipe econômica e integrantes da bancada do PT na Câmara dos Deputados.
O secretário-executivo do ministério da Fazenda, Rogério Ceron, defendeu um modelo de transição para aplicação da nova escala com atenção a setores que já mantêm uma jornada diferenciada.
Técnicos do governo avaliam que uma mudança imediata pode impactar setores específicos e acarretar em deficiência de mão de obra, com possíveis efeitos sobre emprego e produtividade. Por isso, a ideia de uma mudança escalonada, que permita adaptação do mercado.
Na outra ponta, porém, deputados do PT defendem a mudança imediata da nova jornada. Uma ala do partido na Câmara avalia que a proposta tem forte apelo popular e não deve depender de uma transição alongada.
O líder do partido na Casa, Pedro Uczai (PT-SC), chegou a defender que a PEC seja aprovada sem a regra de transição, com redução da jornada para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1.
O relator do texto, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deixou clara sua posição favorável a uma regra de transição, ao mesmo tempo em que ressaltou que o texto final será construído de forma coletiva.
Em relatório anterior, Prates já havia proposto uma regra de transição de dois anos, que, segundo ele, foi acordada com o Palácio do Planalto. No entanto, os sindicatos patronais pedem um prazo de quatro anos, o que ainda não está acordado.
Enquanto isso, o Planalto tenta equilibrar as duas posições. A aposta é aprovar o texto ainda neste semestre, deixando ajustes mais finos para a regulamentação em um segundo momento, o que permitiria avançar com a matéria sem comprometer o calendário previsto pelo governo.