Setor empresarial não vai aceitar fim da 6x1 sem desoneração
Quinta-feira, 23 de Abril de 2026    15h29

Setor empresarial não vai aceitar fim da 6x1 sem desoneração

Lula afirmou que não debaterá projeto que envolva desonerações para empresas, mas Isabel Mega lembra que setor produtivo e oposição resistem à medida

Fonte: Da CNN Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não irá debater um projeto para o fim da escala 6x1 no Brasil que envolva desonerações para empresas. A posição do governo, no entanto, enfrenta resistência do setor empresarial brasileiro e da oposição, que não aceitam mudanças na jornada de trabalho sem compensações financeiras.

A analista de Política Isabel Mega observou, que a discussão sobre o fim da escala 6x1 ganhará mais corpo na comissão especial que será instalada na próxima semana na Câmara dos Deputados.

"Ele [Hugo Motta, presidente da Câmara] já disse que pretende anunciar agora mesmo essa comissão especial e que a ideia é que ela seja instalada semana que vem. A partir daí começam os debates, no âmbito dessa comissão, que vão tratar das medidas de compensaão de um lado, e do outro dessa questão da transição", destacou Mega.

Mega comenta que as principais dúvidas que surgem no debate é se haverá uma transição uniformizada para todos os setores ou se alguns terão regras específicas. Segundo a analista, parlamentares do PT afirmam que "agora começa a briga", mas não necessariamente veem isso como algo negativo.

"Na avaliação de alguns parlamentares do PT, é onde o partido e o próprio presidente Lula podem crescer nessa batalha, digamos assim, que eles querem fazer sobre a 6x1", afirmou.

Isabel Mega lembra que o fim da escala 6x1 não significa necessariamente a adoção de uma jornada 4x3, como propunha o projeto da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A alternativa mais factível, considerando a distribuição de horas, seria a escala 5x2, na qual o trabalhador trabalha cinco dias e folga dois, tendo um final de semana completo.

Há também discussões sobre a possibilidade de adotar um modelo semelhante ao dos Estados Unidos, com pagamento por hora trabalhada, proposta que já está sendo mencionada pela oposição.

"De alguma forma a gente tem que discutir isso, a gente tem que acompanhar o debate que está acontecendo lá fora e que o Brasil também precisa estar nesta esteira e repensar essas relações trabalhistas do ponto de vista da modernização do que a gente aqui nessas relações", observou a analista.

O cronograma previsto pelos parlamentares é de que a proposta avance na Câmara durante o mês de maio, seguindo posteriormente para o Senado, com o objetivo de concluir a tramitação ainda neste semestre.

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