A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode gerar um impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte no longo prazo, aponta um estudo encomendado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte).
A principal pressão vem do aumento direto nos custos trabalhistas. Sem redução proporcional de salários, a hora trabalhada ficaria cerca de 10% mais cara, o que levaria a uma alta de 8,6% nas despesas com pessoal no setor, onde mais de 90% dos profissionais já atuam no limite atual da jornada.
Cerca de 90,5% das companhias de transporte têm até nove empregados e já operam com margens reduzidas: quase metade do valor gerado é destinado ao pagamento de pessoal, enquanto o excedente operacional bruto gira em torno de 21% da receita.
Com menor capacidade de absorver novos custos, o setor pode ser forçado a repassar preços ao consumidor ou até reduzir operações, aponta a CNI.
"O estudo mostra que, sem ganho de produtividade, o resultado é aumento de custos, pressão sobre preços e impacto no emprego”, avalia o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
De acordo com o levantamento, para manter o nível de serviço com a nova jornada, seria necessário contratar cerca de 240 mil trabalhadores adicionais.
Esse número se choca com uma dificiculdade do setor: mais de 65% das empresas já relatam dificuldade para contratar motoristas, segundo levantamento anterior da CNT.
Já no transporte rodoviário de cargas, 44,6% das empresas têm vagas abertas, com mais da metade delas acumulando mais de cinco posições não preenchidas.
O estudo ainda alerta para efeitos colaterais, como o risco de aumento da informalidade. Com custos trabalhistas já elevados, equivalentes a mais de 100% do salário nominal, de acordo com o documento, novas pressões podem incentivar relações de trabalho fora do regime formal.