Governo Lula deve alegar aos EUA risco de fuga de Ramagem para barrar asilo
Terça-feira, 14 de Abril de 2026    06h20

Governo Lula deve alegar aos EUA risco de fuga de Ramagem para barrar asilo

Preso pelo ICE, ex-deputado deverá comprovar perseguição política para garantir permanência nos EUA

Fonte: Jussara Soares
Foto: Valter Campanato
Alexandre Ramagem durante solenidade em que foi empossado na direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

 

As autoridades brasileiras devem apontar o risco de fuga do ex-deputado federal Alexandre Ramagem para tentar evitar que os Estados Unidos atendam ao pedido dele de asilo político. A estratégia é rebater o argumento de que o ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo de Jair Bolsonaro, condenado a 16 anos pelo plano de golpe, é alvo de perseguição política.

Ramagem foi preso nesta segunda-feira (13) na Flórida pelo ICE (sigla em inglês para o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos), após ser flagrado em uma infração de trânsito.

Ramagem corre o risco de deportação por permanência irregular nos EUA. O visto dele, segundo fontes que acompanham o caso, está vencido desde o dia 7 de março deste ano.

O então deputado havia entrado nos EUA em setembro de 2025, às vésperas do início do julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com a Polícia Federal, para escapar da prisão, ele deixou o Brasil por Roraima e passou pela Guiana, de onde embarcou, da capital Georgetown, para Miami, na Flórida.

Esses fatos, além de detalhes da fuga com apoio, segundo a PF, de organização criminosa, devem ser reforçados pelo governo brasileiro às autoridades americanas para evitar que o pedido de asilo feito por Ramagem seja atendido. Essa solicitação deverá ser analisada antes de eventual deportação.

A prisão deve acelerar a análise do asilo. O processo, que poderia levar anos, pode ser concluído em até cinco meses diante da detenção.

O ex-chefe da Abin ainda poderá pedir liberdade provisória mediante pagamento de fiança enquanto aguarda a decisão sobre o asilo e o eventual processo de deportação. Caberá ao juiz decidir se a concessão desse benefício se aplica ao caso.

A avaliação de autoridades brasileiras é que o argumento do risco de fuga pode influenciar tanto a análise do pedido de liberdade quanto o próprio desfecho do processo migratório.

Desde o fim do ano passado, o Brasil já havia repassado às autoridades americanas informações sobre o mandado de prisão em aberto contra o ex-deputado. Após a condenação, ele teve o mandato cassado em dezembro pela Mesa da Câmara.

Ramagem é considerado foragido após a condenação pelos crimes de organização criminosa armadagolpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. Na ocasião, também foi solicitada a extradição do aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mais cedo, em nota, a Polícia Federal afirmou que “a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”.

Já aliados de Ramagem negam que a prisão do ex-deputado tenha participação das autoridades brasileiras.

Cinco meses antes de ser preso pelo ICE, o ex-deputado afirmou que se sentia seguro nos Estados Unidos e que tinha “anuência” do governo americano para permanecer no país.

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