CCJ deve avançar com PEC do 6x1 enquanto Planalto articula novo projeto
Sábado, 11 de Abril de 2026    07h31

CCJ deve avançar com PEC do 6x1 enquanto Planalto articula novo projeto

Governo avalia enviar novo texto sobre mudança na jornada de trabalho; comissão pautou votação de proposta de emenda à Constituição para quarta-feira (15)

Fonte: Emilly Behnke, da CNN Brasil
Foto: ViniLoures
O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Jr. (União-BA), e o relator da PEC do fim da jornada 6x1, deputado Paulo Azi (União-BA), durante reunião da comissão

 

Apesar das articulações do governo para o envio de um novo projeto de lei, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara deve avançar nesta semana com a análise da proposta que altera a jornada de trabalho no país. O colegiado pautou o tema para quarta-feira (15), a partir das 10h.

O Executivo mira acelerar o tema no Congresso e, por isso, quer enviar um projeto de lei com urgência constitucional, que prevê a análise em até 45 dias em cada Casa legislativa. Em ano eleitoral, o fim da jornada de trabalho 6x1 tem sido defendido pelo governo como pauta estratégica.

O presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), é o principal defensor da votação do tema via PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Na última semana, ele chegou a anunciar que o governo havia desistido de um novo projeto. A declaração desagradou integrantes do Planalto, que reiteraram a intenção de mandar um novo texto à Câmara e depois sinalizaram disposição para negociar um entendimento.

Segundo Hugo Motta, após o aval da CCJ, ele “imediatamente” irá determinar a criação da comissão especial específica para debater a redução da jornada. Depois dessa etapa, o texto pode ir ao plenário.

Na CCJ, os deputados devem votar a chamada "admissibilidade" da PEC, que avalia se a proposta está de acordo com as regras constitucionais. Apesar desta fase não tratar diretamente do mérito, não é incomum deputados sugerirem mudanças no texto.

Na comissão, tramitam de forma conjunta duas matérias sobre o mesmo assunto: uma mais antiga, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e outra apresentada no ano passado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O relator é o deputado Paulo Azi (União-BA).

Atualmente a Constituição prevê jornada máxima de 44 horas semanais. O governo defende uma redução para 40 horas, em uma escala no modelo 5x2, com dois dias de descanso.

O setor produtivo resiste à mudança e prevê impacto econômico, com possível encarecimento de preços e serviços. Em outra frente, aliados do governo argumentam que a redução deve trazer maior qualidade de vida aos trabalhadores, com ganhos em produtividade e menos afastamentos por questões de saúde.

Frentes parlamentares produtivas têm defendido uma possível forma de compensação – ideia rejeitada pelo governo que vê como sustentável a redução para até 40 horas.

Parlamentares afirmaram, sob reserva, ser difícil se posicionar contra a proposta considerando o apelo popular da pauta e a proximidade do período eleitoral.

O impasse sobre a forma de tramitação também envolve uma disputa por protagonismo entre os poderes. Na forma de uma PEC, a assinatura da nova norma caberia apenas ao Legislativo, sem necessidade de passar pela sanção presidencial.

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