Fontes do Palácio do Planalto afirmam que não houve recuo sobre o envio de um Projeto de Lei com regime de urgência para acabar com a escala 6x1. Nos bastidores, porém, auxiliares do presidente Lula passaram a adotar um tom mais cauteloso e a defender o diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar prejuízos ao andamento da matéria que tem forte apelo eleitoral para o governo.
A tensão entre Câmara e Planalto aumentou depois de declarações de Motta indicando que o governo teria desistido de enviar o projeto e optado por apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise na CCJ. A fala foi mal recebida entre ministros palacianos, que negam qualquer mudança de estratégia e afirmam que não houve sinalização nesse sentido.
A intenção ainda é encaminhar um PL com urgência constitucional, mecanismo que pode travar a pauta da Câmara caso não seja votado em até 45 dias. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos (PSOL) foi às redes sociais e confirmou que o governo irá enviar o PL.
“O presidente Lula acaba de confirmar que vai mandar o PL com Urgência pelo Fim da Escala 6X1 nos próximos dias. Cada parlamentar terá 45 dias para decidir se votará com os trabalhadores brasileiros ou com os privilegiados. Agora a onça vai beber água”, escreveu Boulos.
Apesar disso, há divisão interna no governo sobre a melhor estratégia. Fontes da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) avaliam que houve precipitação ao anunciar previamente o envio do projeto em regime de urgência. Na avaliação desses interlocutores, o movimento antecipado contribuiu para a reação de Motta.
Diante do impasse, o governo deve acompanhar o ritmo de tramitação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de tomar uma decisão definitiva. A orientação é que qualquer movimento seja feito de forma consensual com o presidente da Câmara.
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem a disposição de Motta em acelerar a análise do tema. O presidente da Câmara se comprometeu a pautar a proposta na CCJ já na próxima semana. Após essa fase, ainda será necessário definir o calendário de tramitação na comissão especial e no plenário.
O presidente Lula espera que a proposta seja votada até maio. Caso o Congresso mantenha um ritmo acelerado, a avaliação dentro do governo é de que o envio de um projeto próprio pode perder força.