Escala 6x1: governo nega recuo, mas defende diálogo com Motta
Quarta-feira, 08 de Abril de 2026    12h37

Escala 6x1: governo nega recuo, mas defende diálogo com Motta

Planalto espera que proposta seja votada até maio

Fonte: Tainá Falcão/CNN
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)

 

Fontes do Palácio do Planalto afirmam que não houve recuo sobre o envio de um Projeto de Lei com regime de urgência para acabar com a escala 6x1. Nos bastidores, porém, auxiliares do presidente Lula passaram a adotar um tom mais cauteloso e a defender o diálogo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar prejuízos ao andamento da matéria que tem forte apelo eleitoral para o governo.

A tensão entre Câmara e Planalto aumentou depois de declarações de Motta indicando que o governo teria desistido de enviar o projeto e optado por apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em análise na CCJ. A fala foi mal recebida entre ministros palacianos, que negam qualquer mudança de estratégia e afirmam que não houve sinalização nesse sentido.

A intenção ainda é encaminhar um PL com urgência constitucional, mecanismo que pode travar a pauta da Câmara caso não seja votado em até 45 dias. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos (PSOL) foi às redes sociais e confirmou que o governo irá enviar o PL.

“O presidente Lula acaba de confirmar que vai mandar o PL com Urgência pelo Fim da Escala 6X1 nos próximos dias. Cada parlamentar terá 45 dias para decidir se votará com os trabalhadores brasileiros ou com os privilegiados. Agora a onça vai beber água”, escreveu Boulos.

Apesar disso, há divisão interna no governo sobre a melhor estratégia. Fontes da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) avaliam que houve precipitação ao anunciar previamente o envio do projeto em regime de urgência. Na avaliação desses interlocutores, o movimento antecipado contribuiu para a reação de Motta.

Diante do impasse, o governo deve acompanhar o ritmo de tramitação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de tomar uma decisão definitiva. A orientação é que qualquer movimento seja feito de forma consensual com o presidente da Câmara.

Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem a disposição de Motta em acelerar a análise do tema. O presidente da Câmara se comprometeu a pautar a proposta na CCJ já na próxima semana. Após essa fase, ainda será necessário definir o calendário de tramitação na comissão especial e no plenário.

O presidente Lula espera que a proposta seja votada até maio. Caso o Congresso mantenha um ritmo acelerado, a avaliação dentro do governo é de que o envio de um projeto próprio pode perder força.

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