Hoje vamos falar sobre envelhecimento — os medos que vêm com o envelhecimento. Ouvimos um cristão idoso que se abre conosco com total honestidade. Ele está aterrorizado com o envelhecimento, aterrorizado com a sensação de inutilidade, aterrorizado com as indignidades de um corpo em declínio, além do medo da morte, mesmo acreditando no céu. Então, eis o dilema: como terminar a vida — terminar a reta final e desconhecida desta corrida — enquanto se torna cada vez mais humilde, e fazê-lo sem se tornar medroso ou amargo?
Vamos à pergunta deste senhor: “Pastor John, o que você diria a alguém que tem pavor de envelhecer e se sente cada vez mais inútil à medida que suas forças diminuem, ou que entra em pânico com a morte, mesmo acreditando no céu? Esse é o meu dilema. Como um cristão idoso pode terminar sua vida não com medo ou amargura, mas com alegria, dignidade e esperança em Cristo?”
Para o país desconhecidoVamos começar com Abraão. Hebreus 11:8 diz: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.”
Não sabemos se estaremos totalmente sozinhos no dia da nossa morte, sem nossos entes queridos ao nosso redor. Não sabemos se teremos perdido tantos recursos e capacidades que seremos profissionalmente inúteis. Não sabemos se será um momento de grande sofrimento e dor. Não sabemos se nossa fé será tranquila ou terrivelmente combatida pelo maligno. Não sabemos se nossas finanças terão se esgotado ou se alguma crise no mercado terá feito nossos recursos desaparecerem. Não sabemos se a demência nos terá roubado todas as nossas memórias cristãs e até mesmo nossa memória das Escrituras. Não sabemos quantos anos teremos, onde estaremos morando, se será repentino, longo ou prolongado.
Entre agora e o momento em que morreremos, estamos caminhando para um país desconhecido. Não importa quantos passos você tenha dado para se sentir seguro, não é — não neste mundo.
Agora, como fazemos isso? Como entramos nesse desconhecido com alegria, dignidade e esperança? Essa é a pergunta que está sendo feita. E, para ser honesto, pode ser impossível fazer isso com dignidade.
Alegria na indignidadeEis o que o apóstolo Paulo diz sobre o corpo à medida que se aproxima da morte. Ele o descreve como uma semente plantada no solo: “Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.” (1 Coríntios 15.42–43).
Agora, eis uma paráfrase. Esta é minha paráfrase dessas três palavras: corruptível, desonra, fraqueza. Corruptível: apodrecendo como frutas com mofo em uma geladeira quente. Desonra: indigno e patético, como um velho encolhido em posição fetal com uma fralda que se suja. Fraqueza: indefeso, totalmente dependente dos outros para tudo. Essa é a imagem que Paulo tem do processo típico de morrer em sua época, e é muito comum em nossos dias.
Não temos nenhuma promessa na Bíblia de que a vida cristã terminará de outra forma que não seja assim — corruptível, desonrosa, indigna, fraca. Mas isso não significa que tenhamos que sucumbir à amargura e à falta de alegria.
Talvez tenhamos que abrir desistir da dignidade, mas a alegria em Jesus, a alegria na esperança, a alegria no sofrimento — podemos lutar por elas até o fim.
E assim por diante, os textos falam sobre a alegria no sofrimento. Podemos ter que desistir da dignidade, mas em toda a nossa fraqueza e sofrimento indignos, que possamos ser encontrados lutando a boa luta da alegria até o fim e dizendo com o apóstolo Paulo: “Em todas as nossas aflições” — nossas aflições do envelhecimento — “estamos transbordando de alegria”.
Permanecendo nas promessas de DeusAgora, como fazemos isso? Fazemos da mesma maneira que sempre fizemos, da mesma maneira que lutamos pela alegria até o fim: vivemos pela fé na graça futura. Ou, em outras palavras: todos os dias nos levantamos e saímos da cama, permanecendo nas promessas de Deus. As promessas de Deus são a espada do Espírito com a qual matamos os pecados da incredulidade. Confiar nas promessas de Deus é o escudo da fé com o qual extinguimos os dardos inflamados da falta de alegria.
Portanto, quando o dardo inflamado da solidão ameaça nossa alegria, nós o extinguimos com a promessa:
Quando somos ameaçados pelo medo da inutilidade, extinguimos a flecha dessa ameaça com a promessa de que o menor bem feito por nós — mesmo que seja apenas uma oração sussurrada em nosso leito de morte — não será esquecido no céu, mas será recompensado pelo Senhor (Efésios 6.8).
Quando somos ameaçados pelo pensamento de que a perda miserável de nossas habilidades, força e beleza não tem nenhum propósito bom — que tudo é gratuito e sem sentido —, extinguimos esse dardo com a promessa de que esse definhamento está, na verdade, produzindo para nós “um peso eterno de glória incomparável” (2 Coríntios 4.16-17). Não é sem sentido.
Quando somos ameaçados pelo medo de que nossa fé possa falhar, extinguimos esse dardo com a promessa de que aquele que começou uma boa obra em sua vida irá temriná-la (Filipenses 1.6). Ele se apoderou de você, e é por isso que você pode se apoderar dele. Você não inicia isso; ele inicia isso. Como diz uma bela música que gosto chamada He Will Hold Me Fast, em seu refrão cantamos “Ele me sustentará, pois meu Salvador me ama tanto. Ele me sustentará”.
E assim as promessas continuam, correspondendo a cada dardo inflamado que o diabo lança contra nós. É assim que lutamos a luta pela alegria em meio a todas as indignidades do envelhecimento.
Aproximando-se de Deus todos os diasCaro amigo que está envelhecendo, tenho 80 anos, e ter 80 anos significa que estou no meu 81º ano. Tudo isso é realmente relevante para mim.
Portanto, vamos cultivar uma proximidade com Deus. Vamos manter o Senhor sempre diante de nós (Salmo 16.8). Vamos focar todos os dias novamente na visão de Sua glória através das Escrituras. Vamos beber todos os dias do rio de suas delícias, que ele está tão desejoso de nos dar (Salmo 36.8). Vamos nos lembrar todos os dias que ele é um tesouro maior do que qualquer coisa que este mundo tem a oferecer (Mateus 13.44). Vamos responder, em voz alta, à sua pergunta a Pedro: “Tu me amas?” (João 21.17) com as palavras: “Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo, Jesus”. Vamos matar todo pecado e manter nossos corações puros. “Bem-aventurados os puros de coração, pois eles verão a Deus” (Mateus 5.8).
E enquanto pudermos, enquanto ainda pudermos, vamos ajudar os outros a fazer o mesmo. É isso que significa conhecer a Deus.