Comunicação entre Moraes e BC entra no radar de delação de Vorcaro
Segunda-feira, 23 de Março de 2026    09h05

Comunicação entre Moraes e BC entra no radar de delação de Vorcaro

Colaboração do ex-banqueiro deve abordar se houve reuniões entre o ministro e o presidente do Banco Central sobre a liquidação da instituição financeira do empresário

Fonte: Caio Junqueira
Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

 

Fontes ligadas à investigação do caso do Banco Master relataram à CNN que a delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deverá abordar as eventuais comunicações ocorridas entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a cúpula do BC (Banco Central) durante o processo de liquidação do banco.

A ideia é explorar se o ministro tratou do assunto, por exemplo, com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e com outros executivos da autarquia monetária. O escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, fechou um contrato de R$ 129 milhões em 2024 com o antigo Banco Master. O valor está fora dos padrões do mercado.

O plano dos investigadores vai na contramão da ideia inicial de Vorcaro para a delação. Como revelou a CNN na semana passada, o banqueiro pretende delatar políticos e poupar o STF.

No caso específico de Moraes e sua esposa, também está no radar da investigação ter acesso a todos os 36 pareceres que o escritório de sua esposa disse ter elaborado, bem como detalhes sobre as 79 reuniões semipresenciais na sede do Master, além dos dois encontros por videoconferência.

O escritório disse não ter atuado na liquidação do Master, mas em questões relacionadas ao compliance da empresa. Esses dados foram divulgados pelo escritório, na primeira manifestação oficial da banca sobre o contrato.

Há dois pontos, porém, que podem ser obstáculos. Um deles é uma possível rejeição da PGR (Procuradoria-Geral da República), que fará a delação conjuntamente com a PF. A CNN já mostrou que a proximidade de Paulo Gonet com Moraes é vista como um obstáculo por investigadores.

Outro ponto é que um ministro do STF só pode ser investigado a partir de uma autorização da própria Corte. Como nunca houve uma possibilidade de delação premiada que acusasse integrantes do Supremo, não está claro o procedimento seguinte caso Vorcaro delate algum de seus integrantes.

Procurado, o STF não se manifestou.

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