Gasolina vai subir no Brasil? Entenda os impactos da disparada do petróleo
Segunda-feira, 09 de Março de 2026    12h01

Gasolina vai subir no Brasil? Entenda os impactos da disparada do petróleo

Aumento no preço da commodity pode beneficiar balança comercial do Brasil, mas também afetar a inflação e pode adiar cortes da Selic

Fonte: Manuela Miniguini, colaboração para a CNN Brasil
Foto: Ilustração gerada por IA
Ilustração de uma carteira com um tanque de guerra, um barril de petróleo e um caça dentro com uma explosão e dinheiro ao fundoinflação - guerra

 

Depois dos ataques no Irã por parte dos Estados Unidos e Israel, um assunto dominou os mercados mundiais: a escalada desenfreada dos preços do petróleo. Uma das commodities mais importantes do mundo, o combustível fóssil subiu 35% na última semana de conflito e 103% se comparado a dezembro de 2025.

O efeito nas bolsas globais foi imediato: bolsas asiáticas derreteram quase 6%, enquanto a Europa despenca nesta segunda-feira (9). No Brasil, o impacto parece ser menos agravante.

Contudo, a principal pergunta é: a disparada do petróleo lá fora vai deixar a gasolina mais cara no Brasil?

Para André Braz, economista e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o impacto deve ser sentido sim no preços dos combustíveis, caso o conflito não se resolva a longo prazo. Segundo ele, a inflação tende a subir não só nessa áreas, mas também em outros setores de exportação.

"Os derivados do petróleo vão muito além dos combustíveis. A agricultura sofre com os adubos e fertilizantes. A aviação entra na conta devido ao querosene de aviação. Gás líquido, a indústria plástica e todos esses elementos dependem do petróleo. Assim, com a commodity cara, a inflação infelizmente volta a subir. E isso pode adiar à revisão de juros", explica.

Braz, por sua vez, acredita que o Brasil possa evidenciar ainda mais o protagonismo no mercado de petróleo. "À medida que a gente exporta mais petróleo, isso se torna um fato positivo. Entram mais dólares, e a nossa balança melhora", evidencia.

Contudo, o especialista deixa claro que existem também outros desafios. "A gente depende de derivados do petróleo que a gente não produz, e esses produtos tendem a ficar mais caros, a gente vai importar esses produtos a um preço maior", finaliza.

O outro lado da moeda

Mesmo com os temores envolvendo a commodity, Spinola acredita que existe um outro lado da moeda. Para ele, com as cotações subindo rapidamente, a Petrobras deve ter, em breve, algum reajuste de preços. Assim, a parte positiva entra na receita do governo.

"Com uma receita maior da petroleira, a empresa pagaria mais dividendos para os seus acionistas e o maior beneficiado seria o próprio governo com uma receita maior", avalia.

A expectativa é que, com um reajuste de preços de até US$ 10 a mais, a receita da Petrobras aumente entre US$ 12 e US$ 15 bilhões, o que poderia ser utilizado em outras áreas de investimento e crescimento.

"É uma decisão do governo entre: você repassa, faz reajuste na inflação e aumenta a sua receita; ou você não repassa, a inflação fica um pouco mais controlada mas a sua receita não sobe", explica.

De acordo com ele, não existe um limite do quanto o petróleo pode subir e, dessa forma, quanto seria o reajuste máximo que o combustível poderia enfrentar mas, Spinola deixa claro que a possibilidade não pode ser descartada.

Incerteza sobre a política monetária

Já há um tempo em que o mercado brasileiro anseia pelo corte na Selic, que está em 15% desde julho de 2025. Com os juros altos, tanto empresas alavancadas quanto a pessoa física endividada tendem a sentir a pressão da dívida.

Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil em fevereiro mostram que a inadimplência de consumidores e empresas em empréstimos concedidos por instituições financeiras com recursos livres no Brasil subiu para 5,5% em janeiro, nível mais elevado desde agosto de 2017.

Mais recentemente, dados do Serasa Experian evidenciam que, empresas do agronegócio registraram o maior número de solicitações de recuperação judicial da história no ano passado, com 1.990 pedidos, um crescimento de 56,4% em relação a 2024.

Assim, há tempos o mercado aguarda por cortes na taxa básica de juros. Apesar da ansiedade, especialistas indicam que, caso o conflito não se resolva a longo prazo e o preço do petróleo continue na mesma toada vista nos últimos dias, o preço dos combustíveis tenham que ser revisado - impactando a inflação no Brasil e, consequentemente, o corte de juros no país.

De acordo com Gustavo Cruz, analista da RB Investimentos, "A leitura é que, com esses preços de petróleo bem mais altos, os bancos centrais revisem suas projeções de juros. Isso pode afetar inclusive o Copom [Comitê de Política Monetária], que iniciaria já na semana que vem um ciclo de cortes", explica.

O economista acredita que, se as tensões não forem amenizadas pelos próximos dias, pode ser que o BC faça com um corte mínimo, enquanto o mercado antes espera por um corte de meio ponto. "Como a gente vê, as empresas que estão divulgando balanços tem diminuído a geração de caixa, tem pagado muitos juros, e isso é ruim pois desincentiva o investimento."

investimento fica de lado até para a pessoa física que, com juros a 15%, optam por deixar o dinheiro render em títulos de renda fixa ao invés de investir na Bolsa de Valores.

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