O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã alterou significativamente o contexto da reunião prevista entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Donald Trump, gerando divergências entre aliados do presidente brasileiro sobre qual postura adotar no encontro. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau.
De acordo com Venceslau, a reunião entre os dois líderes, que deve ocorrer entre 15 e 20 de março, originalmente havia uma agenda focada em assuntos bilaterais, especialmente questões relacionadas a tarifas comerciais, além de possíveis discussões sobre a Venezuela.
Com o recente ataque ao Irã, aliados da ala ideológica do governo brasileiro estão pressionando para que Lula adote uma posição firme contra a ação unilateral dos EUA. "Essas fontes da esquerda, dirigentes partidários, lideranças políticas desse campo acreditam que o presidente Lula não pode perder a oportunidade de apresentar uma posição firme ao chefe de Estado dos Estados Unidos contra o ataque ao Irã", explicou Venceslau.
A posição seria coerente com a diplomacia brasileira, que já condenou o ataque por ter sido unilateral e sem autorização do Conselho de Segurança da ONU. Lideranças de esquerda da América Latina também esperam que o Brasil pressione Trump em relação a essa ação militar.
Cautela versus confrontoPor outro lado, a ala política do governo brasileiro sugere uma abordagem mais cautelosa. Esse grupo avalia que, embora o tema do ataque ao Irã inevitavelmente será abordado, ele não deveria se tornar o eixo central da conversa. A recomendação é que Lula manifeste sua posição ao presidente norte-americano, mas "sem pressioná-lo e sem que isso pareça uma forma de contestação à atuação direta dele".
O objetivo seria preservar as discussões sobre pautas bilaterais e econômicas que interessam ao Brasil. Segundo o analista da CNN, "a leitura entre os aliados do presidente Lula é que, obviamente, o tom da conversa vai acabar sendo outro do que seria sem o ataque".
Além disso, há expectativa de que Lula utilize o argumento do ataque ao Irã para formalizar a decisão brasileira de não aderir ao Conselho de Paz proposto por Trump, reforçando a posição do Brasil em defesa do multilateralismo nas relações internacionais.