O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve negar o convite de Donald Trump para que o Brasil integre o Conselho de Paz. A expectativa é para que os dois presidentes tratem do assunto durante a visita prevista do petista a Washington na segunda quinzena deste mês.
Na visão de fontes do governo ouvidas pela CNN, o conflito no Irã, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e de Israel, fragiliza ainda mais a ideia de uma adesão. O Brasil vê dificuldades do conselho se tornar viável e questiona o fato de o órgão não ter discutido previamente a situação no Irã.
Mesmo antes dos ataques, a ideia de aderir à iniciativa já era vista com ressalvas por auxiliares de Lula pela falta de clareza sobre o funcionamento. Em um telefonema no final de janeiro, Lula chegou a propor a Trump que o órgão se limitasse à questão de Gaza. O governo brasileiro também defendeu a Trump que o órgão tivesse um assento para a Palestina.
Desde o convite, diplomatas brasileiros alertaram ainda sobre a sobreposição de papéis com o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e sobre a abrangência do órgão para lidar com outros conflitos, para além da situação da Faixa de Gaza.
A visita de Lula à Casa Branca ainda não tem data marcada. O Brasil aguarda a sinalização do anfitrião, enquanto monitora os desdobramentos do conflito. Diferente da Venezuela, a situação do Irã é vista como mais distante do país e mesmo o posicionamento contrário aos ataques não deve afetar a relação de Lula e Trump, avaliam fontes.
O Brasil vê violações graves dos Estados Unidos sobre regras da ONU e defende que seja essa a esfera de discussão sobre o assunto. O presidente Lula tem sido informado sobre o conflito permanentemente desde os ataques de sábado (28).