O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve evitar críticas diretas aos Estados Unidos, mas pretende pregar a interrupção do conflito armado no Irã em encontro com Donald Trump.
Neste final de semana, o brasileiro monitorou a situação no Oriente Médio, em contato com o chanceler Mauri Vieira, e deve conversar nesta segunda-feira (2) com o embaixador brasileiro no Irã.
Em conversas reservadas, o presidente indicou que pretende defender, em declarações públicas e privadas, a abertura de um canal de diálogo entre Estados Unidos e Irã com o objetivo de arrefecer o conflito armado.
O apelo será feito, inclusive, no esperado encontro com o presidente americano, aguardado para o início deste mês. Lula aguarda a sinalização de Trump para viajar nos próximos dias a Washington.
O discurso adotado pelo governo federal é de que Lula já se mostrou capaz de costurar um acordo, inclusive para que o regime iraniano seja transparente sobre o enriquecimento de urânio no Oriente Médio.
Em 2010, quando o brasileiro era presidente, Brasil e Turquia avançaram em um entendimento para um acordo nuclear com o Irã. Na época, no entanto, os Estados Unidos se opuseram a um entendimento.
O brasileiro avalia, inclusive, conversar por telefone com o presidente turco, Recep Tayyip, para discutirem o assunto. Em notas oficiais, tanto Brasil como Turquia criticaram os ataques no Oriente Médio.
Nas últimas horas, o presidente americano iniciou uma rodada de conversas com lideranças mundiais sobre o cenário no Irã, que deve escolher, até terça-feira (3), um novo líder supremo definitivo.
O receio do governo brasileiro é de que uma instabilidade política no Irã possa agravar o cenário de tensões e fortalecimento de movimentos fundamentalistas no Oriente Médio.
O governo brasileiro também receia o aumento do preço mundial do petróleo diante do fechamento do Estreito de Ormuz e dos ataques iranianos a petroleiros americanos.